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Avião que transportou Flávio Bolsonaro para Miami foi pago a partir dos Estados Unidos
O avião a bordo do qual Flavio Bolsonaro fugiu do Brasil para os Estados Unidos foi pago por um intermediário a partir de uma conta bancária norte-americana, revelou à AFP o presidente da companhia aérea.
O senador conservador de 45 anos, que não reconhece a derrota nas eleições presidenciais de 25 de outubro no Brasil, chegou na quarta-feira à Flórida (sudeste dos Estados Unidos) a bordo de um jato privado com a sua família.
A viagem rocambolesca de Flávio Bolsonaro e da família, passando pela Argentina e pelo Equador, continua repleta de incógnitas.
O caso complica a relação já tumultuosa entre o Presidente norte-americano, Donald Trump, e o homólogo brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, ícone da esquerda e vencedor surpreendente das eleições.
O filho do ex-presidente de extrema-direita Jair Bolsonaro (2019-2022) viu os seus passaportes cancelados no âmbito de uma investigação por suspeitas de branqueamento de capitais.
Após a chegada às proximidades de Miami, denunciou nas redes sociais uma "fraude eleitoral" - desmentida pelo seu próprio campo e pela justiça eleitoral do Brasil - e afirmou que tencionava "liderar" a oposição brasileira a partir do exílio.
Questionado pela AFP, o presidente da companhia aérea argentina que facilitou a fuga de Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos revelou esta quinta-feira alguns pormenores sobre a organização da viagem.
"Fui contratado por um `broker` (intermediário) que conheço há dez anos e que vive nos Estados Unidos", afirmou Luis Grande, diretor da companhia Baires Fly, por telefone a partir da Flórida.
Segundo o empresário argentino, esse intermediário, de nacionalidade argentina e norte-americana e cuja identidade se recusou a revelar, transferiu-lhe 150.000 dólares (134 mil euros) de uma conta empresarial num banco norte-americano para um banco argentino.
Segundo os jornais "Wall Street Journal" e "New York Times", o avião teria sido fretado por Jason Miller, um conselheiro de Donald Trump. A Casa Branca não se pronunciou sobre o assunto.
O diretor da Baires Fly afirmou não conhecer o cliente do intermediário.
Segundo a Direção de Imigração argentina, o filho de Bolsonaro embarcou na terça-feira à noite num avião privado em Puerto Iguazú (nordeste), 40 minutos depois de ter entrado na Argentina por via terrestre a partir da fronteira brasileira, situada nas proximidades.
Um alto responsável do Governo argentino refutou na quinta-feira qualquer irregularidade no trânsito da família Bolsonaro por território aregentino.
Não houve "nenhum impedimento" nem "qualquer aviso da Interpol", declarou Diego Santilli, chefe do Conselho de Ministros.
Ainda não se sabe como Flavio Bolsonaro, aliado do Presidente ultraliberal argentino Javier Milei, chegou de Brasília até à zona fronteiriça.
Brasília não comentou as várias declarações de Donald Trump sobre as eleições realizadas no domingo num dos últimos bastiões da esquerda na América Latina.
"Esta eleição é uma vergonha para o povo brasileiro", afirmou o Presidente norte-americano na quinta-feira, acrescentando, no entanto, que não tinha "tomado partido" durante a campanha, a pedido do homólogo brasileiro.
Na véspera, Trump tinha assegurado que não "iria intrometer-se" no que diz respeito ao filho de Bolsonaro, mas disse que a eleição tinha sido "estranha".
Até agora, o Governo brasileiro tem dado sinais de que pretende evitar polêmicas com os Estados Unidos e prefere reagir com "sobriedade e pragmatismo", nos termos de um conselheiro de Lula, citado pela AFP, sob condição de anonimato.
Segundo a mesma fonte, o Presidente reeleito sente-se numa posição de força, conferida pela expressiva vitória eleitoral.