De acordo com a FAO, entre 2023-2025, 16,7 milhões de brasileiros saíram do patamar de fome severa. Vários analistas defendem que em 2022 o terceiro governo Lula recebeu um país ainda mais desorganizado, com mais fome e menos investimento público. Apesar de admitirem que o país ainda estava a viver as consequências da pandemia.
Ainda assim, apontam o abandono da política de valorização do salário mínimo, pelo governo de Jair Bolsonaro. Bem como o abandono do investimento do Estado em áreas como a ciência e tecnologia e a fiscalização ambiental.
Ainda assim, apontam o abandono da política de valorização do salário mínimo, pelo governo de Jair Bolsonaro. Bem como o abandono do investimento do Estado em áreas como a ciência e tecnologia e a fiscalização ambiental.
No mercado de trabalho, o governo de Jair Bolsonaro foi confrontado com taxas de desemprego de dois dígitos durante a maior parte do mandato, que chegaram a 14,9 por cento no auge da pandemia.
Sob o governo Lula, o desemprego caiu para a casa dos cinco por cento. Os dados de agosto deste ano, medidos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), colocam a taxa de desemprego em 5,3 por cento, sendo que em 2025 foi de 5,6 por cento.
Por outro lado, o crescimento económico do Brasil está a desacelerar.
O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil cresceu 0,5 por cento no segundo trimestre de 2026, mais fraco em relação aos três primeiros meses do ano, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O abrandamento ocorre num cenário de desaceleração de várias economias emergentes, afetadas pelos efeitos do conflito no Médio Oriente.
Ainda assim, o Brasil ficou na 5ª posição no ranking mundial de crescimento trimestral, de acordo com a avaliação da primeira e maior agência brasileira de rating, Austin Rating. Nesta avaliação, o país ficou à frente de grandes economias como a China que apareceu na 19ª posição.
A par disto, vários analistas económicos alertam para o efeito da política monetária que colocou o Brasil entre os países com uma das maiores taxas de juro real do mundo.
No que diz respeito à inflação, em 2021 o governo de Jair Bolsonaro registou uma subida que chegou a 10,06 por cento (em 2019 a taxa tinha sido de 4,31 por cento). Já em 2022, ano de eleições, a inflação recuou para 5,8 por cento.
No terceiro mandato de Lula da Silva, a inflação demonstra uma estabilização. Em 2024 foi de 4,83 por cento, em 2025 o índice oficial da inflação no Brasil (IPCA) acumulado em 12 meses caiu para 4,28 por cento. Já em agosto deste ano, a taxa era de 4,22 por cento.
No que diz respeito ao endividamento dos brasileiros, a Confederação Nacional do Comércio (CNC) refere que 82 por cento das famílias tinham algum tipo de crédito em julho.
O que as propostas dos candidatos indicamQuando os resultados da primeira volta colocaram Flávio Bolsonaro à frente de Lula da Silva a bolsa de valores do Brasil fez, digamos assim, uma festa.
No dia 05 de outubro, o principal índice da bolsa brasileira (Ibovespa) bateu um recorde histórico. Sendo uma espécie de termómetro para o mercado de ações no Brasil, o Ibovespa fechou em alta.
Para vários analistas, o ânimo não é justificado apenas com a vantagem de Bolsonaro filho, mas um conjunto de fatores. Por exemplo, a expectativa de haver no Brasil um ambiente mais propício para um ajuste fiscal.
No entanto, não é certo que Flávio Bolsonaro vá de facto fazer um ajuste fiscal, se for eleito. O grande “risco” é que, uma vez na Presidência, Flávio Bolsonaro foque a energia na tentativa de libertar o pai da prisão domiciliária.
Este é um ponto central de divergência entre os dois candidatos: o destino dos bolsonaristas condenados por atentado contra a democracia após a eleição de 2022.
O filho de Jair Bolsonaro promete amnistiar os condenados, Lula defende manter a punição dos responsáveis.
Naturalmente, há mais diferenças entre o que ambos propõem para os próximos anos.
Numa síntese muito rápida, podemos dizer que de um lado, Lula propõe ampliar o papel do Estado, fortalecer as políticas sociais e expandir direitos dos trabalhadores. Do outro, Flávio Bolsonaro defende uma agenda liberal na economia, a redução de impostos e o endurecimento do combate ao crime.
Para equilibrar as contas públicas, Lula propõe manter o "novo arcabouço fiscal", ou seja novas regras que limitam o aumento dos gastos do governo.
Já Flávio aposta no "grande tesouraço" com redução de ministérios, também defende privatizações e novas regras fiscais com o objetivo de "estabilizar e reduzir a dívida pública".
Também há diferenças nas propostas dos candidatos para a segurança pública. Lula da Silva defende o combate financeiro ao crime organizado e Flávio Bolsonaro aposta no endurecimento penal. Por exemplo, com a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos
Na Educação, os programas eleitorais de ambos valorizam o ensino técnico e a utilização da tecnologia, mas as prioridades pedagógicas divergem.
Lula aposta na expansão da educação pública com mais creches, fortalecendo o programa Pé-de-Meia (que prevê pagamentos a alunos que permaneçam no Ensino Médio), e com um novo ciclo de expansão da rede federal de ensino superior, entre outras propostas.
Quanto a Flávio Bolsonaro defende escolas cívico-militares, uma gestão escolar baseada em resultados e uma educação "livre de doutrinação político-partidária". Também prevê vouchers educacionais quando não houver vagas na rede pública de ensino.
Na Saúde, as propostas apresentam alguns pontos em comum, mas há uma diferença que se mantém. Bolsonaro filho defende que o setor privado tem que ter um papel maior e responder em situações em que o setor público não consegue.
Ainda que seguindo caminhos diferentes, os dois candidatos prometem estimular a bioeconomia (produção de riquezas preservando recursos naturais), para além de aplicarem políticas para remunerar quem conserva o meio-ambiente.
Na agenda digital e de tecnologia, os dois programas tratam a Inteligência Artificial como uma oportunidade de desenvolvimento do país. Neste aspeto, é prometida a construção de data centers (centros de armazenamento de dados) e a utilização da Inteligência Artificial para melhorar os serviços públicos.