Copacabana enche-se de esperança para levar Lula a virada inédita

Copacabana enche-se de esperança para levar Lula a virada inédita

Copacabana encheu-se hoje de vermelho, esperança e euforia com a vinda de Lula da Silva, no último dia de campanha do Presidente, que procura transformar a desvantagem da primeira volta numa vitória inédita no domingo.

Lusa / Adicionar como fonte informativa

"Há Luiz no fim do túnel", lia-se em vários cartazes, um trocadilho com o nome do Presidente e que dava o mote à esperança de uma reviravolta histórica: desde 1989, nunca um candidato presidencial brasileiro que terminou a primeira volta em segundo lugar venceu a eleição na segunda.

Na multidão, várias pessoas erguiam exemplares da Constituição, num gesto de defesa da democracia e das instituições brasileiras, ameaçada, segundo a esquerda, com a possível chegada ao poder do filho mais velho do ex-Presidente Jair Bolsonaro, o "01", Flávio.

Do carro de som, o animador lançou à multidão uma promessa: "O bolsonarismo começou aqui no Rio de Janeiro e é aqui no Rio de Janeiro que vai acabar!", numa referência ao estado onde Jair Bolsonaro e os seus filhos construíram a carreira política e a família consolidou a sua base eleitoral.

"De virada é mais gostoso", lia-se noutro cartaz.

Entre a praia e a avenida, uma multidão de apoiantes agitou bandeiras e cartazes com o número 13 e a imagem do Presidente, que seguia num carro pela multidão, num mar de camisolas vermelhas que contrasta com a areia e o azul do mar da praia mais famosa do mundo.

Famílias, grupos de amigos e casais de todos os géneros juntaram-se em Copacabana com uma certeza: "O amor vai vencer uma última vez", disse à Lusa Bruno, carioca da gema de 24 anos, de mãos dadas com a namorada. Para o casal, estas eleições "são uma questão de sobrevivência" do seu modo de vida.

Mais ao lado, três gerações da família Gouveia, estavam emaciados e em comunhão, num misto de alegria, nervosismo e euforia.

A mãe, Luiza, mostra um cartaz com orgulho: "Amanhã, pela última vez, e para sempre, Lula Presidente".

Desde que se lembra sempre votou em Lula, o líder histórico do Partido dos Trabalhadores (PT), que se candidatou em 1989, 1994, 1998, e que venceu em 2002, 2006 e 2022.

Agora, em 2026, todos têm a noção que é a sua `última dança`, quer ganhe ou perca no domingo. Aos 80 anos, Lula chega ao fim da sua última campanha de sempre a pedir aos apoiantes que acreditem na possibilidade de uma reviravolta.

"Todo o mundo acredita na virada", garante Luiza.

A concentração tinha também um tom de despedida: entre bandeiras, camisolas vermelhas e Constituições erguidas, muitos pareciam viver aquele comício como o último capítulo de uma longa história política, que, para o bem ou para o mal, terminará no domingo.

O candidato do PT, que usava um boné vermelho com o apelido Silva escrito, disse ter a certeza de que "o povo brasileiro tem responsabilidade, tem juízo",

"Essa gente não presta. Têm o direito de não gostar de mim, mas para votar num miliciano é demais", afirmou, referindo-se a Flávio numa alusão às suas alegadas ligações a grupos paramilitares do Rio de Janeiro.

Nem o pneu furado do carro onde seguia Lula pela orla pareceu capaz de esfriar a euforia da multidão, que não deixou espaço para maus presságios para domingo.

Lula seguirá depois para São Paulo, o maior colégio eleitoral do país, para encerrar a campanha. Em simultâneo com a sua marcha no Rio, Flávio Bolsonaro percorreu as ruas de Belo Horizonte. O senador seguirá depois para o Rio, berço político do bolsonarismo.

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