Justiça manda prender secretário de Salvador por redução da frota de autocarros

Justiça manda prender secretário de Salvador por redução da frota de autocarros

 A Justiça eleitoral brasileira ordenou hoje a prisão em flagrante do secretário municipal de Mobilidade da cidade de Salvador devido à redução da frota de autocarros em circulação no dia da segunda volta das eleições presidenciais, indicou a imprensa local.

Lusa / Adicionar como fonte informativa

A Polícia Federal deverá agora acatar a ordem de prisão de Pablo Souza, segundo a imprensa local.

A Bahia e o conjunto do Nordeste constituem tradicionais bastiões eleitorais de Lula. Na primeira volta, o Presidente obteve 5,66 milhões de votos na Bahia, contra 2,44 milhões de Flávio Bolsonaro.

Nos nove estados do Nordeste, onde venceu em todos, Lula somou 21,49 milhões de votos, contra 10,40 milhões de Flávio.

A Justiça eleitoral regional ordenou ainda às empresas concessionárias a reposição imediata da totalidade da frota de autocarros de Salvador, e transporte gratuito para todos até ao encerramento da votação e durante o período necessário para garantir o regresso dos eleitores a casa.

Minutos antes desta decisão, o governador da Bahia, estado de que Salvador é capital, denunciou uma tentativa de impedir a população de votar e disponibilizou polícias para conduzir autocarros, após queixas de falta de transporte.

A intervenção do governante, do Partido dos Trabalhadores (PT), surgiu depois de a Federação Brasil da Esperança, que integra o PT e outros partidos de esquerda terem denunciado à Justiça Eleitoral uma redução superior a 50% da frota em circulação na capital baiana.

"Não vou aceitar o que estão fazendo com a população baiana, tentando impedir que as pessoas exerçam seu direito ao voto. Vamos garantir que o povo tenha condições de votar!", acrescentou.

A Prefeitura de Salvador, equivalente à Câmara Municipal em Portugal, é liderada por Bruno Reis, do União Brasil, que declarou apoio a Flávio Bolsonaro nesta segunda volta.

Há quatro anos, 30 de outubro de 2022, dia da segunda volta das eleições presidenciais que Lula da Silva venceu contra o então Presidente Jair Bolsonaro, a Polícia Rodoviária Federal realizou operações de fiscalização de autocarros, sobretudo no Nordeste.

Segundo a investigação da Polícia Federal, estas operações visavam dificultar ou impedir a deslocação de eleitores nas regiões onde Lula tinha obtido maior votação na primeira volta.

O então diretor-geral da PRF, Silvinei Vasques, foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 24 anos e seis meses de prisão no processo relativo a um dos núcleos da tentativa de golpe de Estado, orquestrado por Jair Bolsonaro, que foi condenado a mais de 27 anos de prisão.

Os mais de 158,7 milhões de eleitores poderão votar até às 17:00 de Brasília (20:00 em Lisboa) nas cerca de 564.000 urnas eletrónicas espalhadas por 5.571 cidades do país, além de 186 cidades no exterior, como Lisboa, Porto e Faro.

Na primeira volta, Flávio Bolsonaro obteve 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula da Silva, uma vantagem de 2.224.965 votos, sendo que, desde a introdução do sistema de duas voltas nas presidenciais brasileiras, em 1989, nenhum candidato que terminou a primeira votação em segundo lugar conseguiu vencer a eleição.

Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores, de esquerda, e antigo sindicalista, procura a reeleição aos 80 anos e o seu quarto mandato, enquanto o senador Flávio Bolsonaro, filho do ex-Presidente Jair Bolsonaro, do Partido Liberal e apoiado pela direita, tenta devolver o poder ao campo bolsonarista, quatro anos depois da derrota do pai contra o ex-operário que tenta agora derrotar.

Lusa

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