NASA dá a conhecer os "New Horizons" de Ultima Thule

por Nuno Patrício - RTP

O ano de 2019 começou da melhor forma para equipa de cientistas que está a seguir a sonda New Horizons. Depois de ter revelado de perto o rosto de Plutão e da lua Charon, a sonda norte americana seguiu caminho para fora do sistema solar e dá agora a conhecer, no primeiro dia do ano, como é um dos asteróides mais antigos e um dos mais distantes alguma vez visitado por um objeto terrestre.

As primeiras imagens do Ultima Thule, um asteroide em forma de oito, com o código de referência 2018MU69, já chegaram ao Southwest Research Institute, em Boulder, Colorado, e deixaram radiantes os cientistas da missão New Horizons da NASA. "A New Horizons é como uma máquina do tempo, que nos levou de volta ao nascimento do sistema solar. Com as imagens que agora nos chegam estamos a ver uma representação física do início da formação planetária, congelada no tempo", diz o lider da equipa geofisica Jeffrey Moore.

"Este voo é uma conquista histórica", afirmou esta quarta-feira Alan Stern, o principal investigador da New Horizons. "Nunca antes uma equipa de sondas espaciais analisou um corpo tão pequeno, a tão alta velocidade e tão longe no abismo do espaço. A New Horizons estabeleceu uma nova barreira para a navegação de naves espaciais de última geração", referiu Stern.

As imagens inéditas e únicas foram tiradas a uma distância aproximada de 27 mil quilómetros revelando um asteróide como um "binário de contato", consistindo por duas esferas rochosas unidas. De ponta a ponta, o Ultima Thule mede 33 quilómetros de comprimento. A equipa que está a trabalhar os dados enviados pela sonda batizou as duas esferas do astro. Ultima para a esfera maior (19 quilómetros de diâmetro) e Thule para esfera menor (14 quilómetros de diâmetro).

Creditos: NASA/Johns Hopkins University Applied Physics Laboratory/Southwest Research Institute

Os mais curiosos certamente colocarão a questão: como se terá formado este "oito" espacial em forma de boneco de neve? A equipa de cientistas explica que as duas esferas provavelmente se terão unido já numa fase final da formação do sistema solar, colidindo as duas massas de forma pouco violenta, acabando estas por ficar unidas.

Creditos: NASA/Johns Hopkins University Applied Physics Laboratory/Southwest Research Institute

Na conferência de imprensa dada esta quarta-feira, os investigadores explicam também o que pensam ser a auréola branca que se demarca na união das duas rochas. Para Jeffrey Moore, um dos elementos da equipa científica presente, e líder da equipa de Geologia e Geofísica da New Horizons, esta marca aparenta ser os restos dos detritos que se acumulam na junção das duas rochas.

Creditos: NASA/Johns Hopkins University Applied Physics Laboratory/Southwest Research Institute

"A New Horizons é como uma máquina do tempo, que nos levou de volta ao nascimento do sistema solar. Com as imagens que agora nos chegam estamos a ver uma representação física do início da formação planetária, congelada no tempo", diz Jeffrey Moore. "Estudar Ultima Thule ajuda-nos a entender como é que os planetas se formam, quer os do sistema solar, quer aqueles que orbitam outras estrelas na nossa galáxia."

Esta visita constitui para a história da exploração espacial como oportunidade única. O asteroide Ultima Thule, com a sua aparência notável, é diferente de tudo o que já vimos, abrindo "novos horizontes" sobre os processos que construíram os planetas há quatro mil milhões e meio de anos.

Mas os primeiros dados e fotos, agora recebidos na Terra é apenas o início da grande aventura a alta velocidade que a New Horizons preconizou. Mais imagens de maior resolução e novos dados da passagem pelo MU69 vão continuar a chegar nas próximas semanas e meses.

Creditos: NASA/Johns Hopkins University Applied Physics Laboratory/Southwest Research Institute

"Nos próximos meses, a New Horizons irá transmitir dezenas de conjuntos de dados para a Terra, e escreveremos novos capítulos na história do Ultima Thule - e do sistema solar", afirmou Helene Winters, responsável pelo projeto da New Horizons.

A New Horizons faz parte do Programa Novas Fronteiras gerido pelo instituto Marshall Space Flight Center da NASA em Huntsville, Alabama.