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Risco. Uma condição humana
Todos os seres humanos se deparam, ao longo da vida, com situações de risco, vendo-se obrigados a quebrar padrões de segurança. No Pavilhão do Conhecimento, em Lisboa, há uma exposição para audazes patente até setembro de 2017. A RTP foi visitá-la.
"Quem não arrisca não petisca", lá diz o provérbio popular. E são muitos aqueles que se aventuram em atos classificados como "potencialmente perigosos". Mas o que é na verdade o risco e como é que este se traduz no comportamento humano?
O termo tem origem no léxico italiano rischio ou risico, que, por sua vez, deriva do árabe clássico rizq – o que se depara com a providência.Sabia que há mesmo uma fórmula para calcular o risco? A arriscada fórmula r = ∑i pi x uCi traduz a probabilidade de um evento ocorrer multiplicada pela gravidade do acontecimento, caso este ocorra.
A palavra faz quase sempre referência à proximidade de um possível dano. E não são só os seres humanos que têm esta noção.
A noção de risco está geralmente associada a perigo. Contudo, o risco prende-se sobretudo com o grau de vulnerabilidade, ao passo que o perigo está geralmente ligado à possibilidade de um prejuízo ou de um dano.
É assim possível distinguir o risco (possibilidade de dano) do perigo (probabilidade de acidente).
Há uma vasta gama de riscos e em diferentes âmbitos - físicos e morais -, entre eles:
- Risco laboral: falta de estabilidade ou segurança no trabalho, ou até mesmo uma profissão de risco, com trabalho em áreas adversas;
- Risco biológico: possibilidade de contágio através de uma epidemia ou do contacto com materiais biológicos potencialmente perigosos;
- Risco financeiro: relacionado com questões monetárias de um indivíduo, entidade ou país;
- Risco pessoal: atividades lúdicas ou morais.

RISCO – Uma exposição para audazes
O que têm em comum os primeiros passos de um bebé, ou uma criança que apreende a andar de skate, ou até um jovem a entrar num novo negócio? A todos eles está associada a audácia. Conscientemente ou não.
E como se medem os riscos que realmente valem a pena correr? Pela avaliação de atos e consequências. Uma reflexão diária que leva a agir num ou noutro sentido.
Identificar o risco, compreendê-lo e ser capaz de o avaliar, individualmente ou em grupo, é a melhor forma de agir. Neste sentido, o Pavilhão do Conhecimento, em consórcio com o Heureka, em Helsínquia, apresenta uma exposição para audazes, produzida pelo centro de ciência Cité des Sciences et de l’Industrie, em Paris. E intitulada RISCO.

A mostra permite ao público medir o nível de risco dos comportamentos e perceber como este, quando razoável, pode contribuir para o desenvolvimento pessoal e para uma sociedade inovadora.
Inês Montalvão é uma das organizadoras da exposição RISCO e explica que quem vem ao Pavilhão do Conhecimento e se predispõe a arriscar encontra três áreas distintas.
- Área Amarela: onde se explica o que é o risco, dando a conhecer que até existe uma formula matemática, criada por um cientista húngaro;
- Área Vermelha: onde se testa a audácia individual e se relembra os riscos que diariamente enfrentamos;
- Área Azul: em que se mostra os riscos partilhados e que um ato isolado pode afetar terceiros.
Nem sempre o risco é avaliado da mesma forma e depende muito da cultura individual e coletiva.
Inês Montalvão refere que, quando esta exposição foi pensada, avaliou-se a forma como os diferentes países viam o risco e chegou-se à conclusão de que os portugueses associavam o risco à aventura individual, em contraste com os franceses e finlandeses, que contrapunham com questões de segurança coletiva.
Proteção e risco, uma relação tóxica
Na educação de um filho, uma desmesurada postura de proteção pode ser contraproducente. Isto porque tem de haver a noção de experiência para compreender os riscos inerentes, como explica Inês Montalvão à RTP.
"Arriscar é aprender. E arriscar é também deixá-los aprender por eles. Se um miúdo nunca cai, nunca dá um pequeno trambolhão, nunca se vai levantar e nessa perspetiva pode até ser uma fase de aprendizagem, daí a necessidade de os pais deixarem os miúdos arriscarem um bocadinho".
Uma exposição com riscos
São ao total 25 módulos interativos que permitem ao visitante testar o seu nível de risco.
Desafios que passam, por exemplo, pelo lançamento de 100 dados, no sentido de compreender a lei dos grandes números, por andar numa bicicleta ao longo de um cabo suspenso a 15 metros do chão, jogar numa roleta elétrica, em que o mais azarado arrisca a levar um pequeno choque, ou até encarnar um elemento pertencente à brigada de minas e armadilhas e testar a coragem na desativação de uma bomba-relógio.
A reportagem do site da RTP pôde testemunhar como tudo se desenrola para os visitantes.
Por vezes, a perceção da realidade é distorcida pela intuição, pelas tentativas de racionalização ou experiências anteriores. Exemplo disto é a reação, por exemplo, depois de se ouvir falar de um desastre de aviação: sobrestima-se o perigo de voar.
Reações denominadas como propensões cognitivas podem conduzir a uma má escolha perante um risco. É o caso de alguns condutores que julgam não precisar de ter cuidado em determinada estrada, argumentando que a conhecem como a palma da mão.
Identificar estas propensões cognitivas, conhecer a influência nas decisões e saber rejeitá-las na altura certa ajuda a ter audácia. Ponderada.
A exposição RISCO pode ser visitada até setembro do próximo ano no Pavilhão do Conhecimento, no Parque das Nações, em Lisboa.
O termo tem origem no léxico italiano rischio ou risico, que, por sua vez, deriva do árabe clássico rizq – o que se depara com a providência.Sabia que há mesmo uma fórmula para calcular o risco? A arriscada fórmula r = ∑i pi x uCi traduz a probabilidade de um evento ocorrer multiplicada pela gravidade do acontecimento, caso este ocorra.
A palavra faz quase sempre referência à proximidade de um possível dano. E não são só os seres humanos que têm esta noção.
A noção de risco está geralmente associada a perigo. Contudo, o risco prende-se sobretudo com o grau de vulnerabilidade, ao passo que o perigo está geralmente ligado à possibilidade de um prejuízo ou de um dano.
É assim possível distinguir o risco (possibilidade de dano) do perigo (probabilidade de acidente).
Há uma vasta gama de riscos e em diferentes âmbitos - físicos e morais -, entre eles:
- Risco laboral: falta de estabilidade ou segurança no trabalho, ou até mesmo uma profissão de risco, com trabalho em áreas adversas;
- Risco biológico: possibilidade de contágio através de uma epidemia ou do contacto com materiais biológicos potencialmente perigosos;
- Risco financeiro: relacionado com questões monetárias de um indivíduo, entidade ou país;
- Risco pessoal: atividades lúdicas ou morais.
RISCO – Uma exposição para audazes
O que têm em comum os primeiros passos de um bebé, ou uma criança que apreende a andar de skate, ou até um jovem a entrar num novo negócio? A todos eles está associada a audácia. Conscientemente ou não.
E como se medem os riscos que realmente valem a pena correr? Pela avaliação de atos e consequências. Uma reflexão diária que leva a agir num ou noutro sentido.
Identificar o risco, compreendê-lo e ser capaz de o avaliar, individualmente ou em grupo, é a melhor forma de agir. Neste sentido, o Pavilhão do Conhecimento, em consórcio com o Heureka, em Helsínquia, apresenta uma exposição para audazes, produzida pelo centro de ciência Cité des Sciences et de l’Industrie, em Paris. E intitulada RISCO.
A mostra permite ao público medir o nível de risco dos comportamentos e perceber como este, quando razoável, pode contribuir para o desenvolvimento pessoal e para uma sociedade inovadora.
Inês Montalvão é uma das organizadoras da exposição RISCO e explica que quem vem ao Pavilhão do Conhecimento e se predispõe a arriscar encontra três áreas distintas.
- Área Amarela: onde se explica o que é o risco, dando a conhecer que até existe uma formula matemática, criada por um cientista húngaro;
- Área Vermelha: onde se testa a audácia individual e se relembra os riscos que diariamente enfrentamos;
- Área Azul: em que se mostra os riscos partilhados e que um ato isolado pode afetar terceiros.
Nem sempre o risco é avaliado da mesma forma e depende muito da cultura individual e coletiva.
Inês Montalvão refere que, quando esta exposição foi pensada, avaliou-se a forma como os diferentes países viam o risco e chegou-se à conclusão de que os portugueses associavam o risco à aventura individual, em contraste com os franceses e finlandeses, que contrapunham com questões de segurança coletiva.
Proteção e risco, uma relação tóxica
Na educação de um filho, uma desmesurada postura de proteção pode ser contraproducente. Isto porque tem de haver a noção de experiência para compreender os riscos inerentes, como explica Inês Montalvão à RTP.
"Arriscar é aprender. E arriscar é também deixá-los aprender por eles. Se um miúdo nunca cai, nunca dá um pequeno trambolhão, nunca se vai levantar e nessa perspetiva pode até ser uma fase de aprendizagem, daí a necessidade de os pais deixarem os miúdos arriscarem um bocadinho".
Uma exposição com riscos
São ao total 25 módulos interativos que permitem ao visitante testar o seu nível de risco.
Desafios que passam, por exemplo, pelo lançamento de 100 dados, no sentido de compreender a lei dos grandes números, por andar numa bicicleta ao longo de um cabo suspenso a 15 metros do chão, jogar numa roleta elétrica, em que o mais azarado arrisca a levar um pequeno choque, ou até encarnar um elemento pertencente à brigada de minas e armadilhas e testar a coragem na desativação de uma bomba-relógio.
A reportagem do site da RTP pôde testemunhar como tudo se desenrola para os visitantes.
Por vezes, a perceção da realidade é distorcida pela intuição, pelas tentativas de racionalização ou experiências anteriores. Exemplo disto é a reação, por exemplo, depois de se ouvir falar de um desastre de aviação: sobrestima-se o perigo de voar.
Reações denominadas como propensões cognitivas podem conduzir a uma má escolha perante um risco. É o caso de alguns condutores que julgam não precisar de ter cuidado em determinada estrada, argumentando que a conhecem como a palma da mão.
Identificar estas propensões cognitivas, conhecer a influência nas decisões e saber rejeitá-las na altura certa ajuda a ter audácia. Ponderada.
A exposição RISCO pode ser visitada até setembro do próximo ano no Pavilhão do Conhecimento, no Parque das Nações, em Lisboa.