"Robot Ajuda" a ensinar na Secundária da Portela. Projeto pode vencer concurso internacional

| Ciências

Paulo Torcato - Professor de Informática Escola Secundária Arco Íris ( Portela)
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A Escola Secundária Arco Iris, na Portela de Sacavém, Lisboa, está entre os 90 vencedores dos prémios propostos pela Cimeira Mundial sobre a Sociedade da Informação 2018 (WSIS Prizes 2018). O projeto "Robot Ajuda!" está entre os cinco primeiros classificados - quatro universidades e a escola secundária -, na categoria E-Science. No próximo dia 20 de março pode mesmo ser o eleito para vencedor do grupo.

A ideia de colocar as novas ferramentas tecnológicas ao dispor dos alunos do ensino vocacional na Escola Secundária Arco Íris começou bem antes da apresentação a concurso na WSIS.

Paulo Torcato, professor que coordena o projeto, tomou em mãos esta aventura educativa em 2008, quando resolveu levar os robots para dentro da sala de aula e usar uma metodologia inovadora de ensinar.



A partir de 2009, esta aventura ganhou nome: "Robot Ajuda".

Um projeto que tem resistido perante uma forma de ensino ainda muito tradicional em Portugal e que tem ganho adeptos, na escola, e mais recentemente um reconhecimento por parte do próprio Ministério da Educação, como explicou à RTP o professor de Informática e coordenador do projeto Paulo Torcato.Na categoria 14, E-Science, estão a concurso cinco projetos. Quatro são de Universidades, duas da Malásia, uma da China, uma da Arábia Saudita e o projeto português “Robot Ajuda!” da Escola Secundária Arco Íris, na Portela.

"De início trabalhávamos com alunos do ensino secundário, mas rapidamente começámos a trabalhar com alunos do terceiro ciclo, especialmente com alunos com dificuldades de integração e até alunos com dificuldades educativas especiais."

O projeto "O Robot Ajuda!" procura assim ajudar "alunos diferentes", que muitas vezes não encontram motivação no ensino dito normal.


É na categoria 14, correspondente às aplicações de Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC), em ciência eletrónica (E-Science), que esta escola se destaca.

Com este projeto é possível ensinar a alunos desmotivados e com elevadas taxas de reprovação matérias como Física, Matemática, Ciências, Português e outras ainda mais exigentes, como programação e robótica, dentro de um contexto mais acessível e direto.

"Este projeto tomou um outro alcance. Alargou-se e abrange um maior número de alunos quer em características, quer em número e permite trazer aos alunos uma nova maneira de aprender. Eu costumo dizer que os robots entraram na sala de aula e trouxeram uma nova maneira de aprender. É isso que o 'Robot Ajuda!' pretende."


O que é são os prémios da Cimeira Mundial sobre a Sociedade da Informação (WSIS Prizes)
Os prémios da WSIS consistem num concurso internacional exclusivo, criado para responder às várias solicitações dos participantes, no sentido de criar um mecanismo efetivo para avaliar e reconhecer indivíduos, governos, sociedade civil, agências locais, regionais e internacionais, instituições de pesquisa e empresas do setor privado para um sucesso notável na implementação de estratégias orientadas para o desenvolvimento e que estimulem as atividades das TIC como um facilitador do desenvolvimento.


O concurso foi realizado pela primeira vez em 2012, e rapidamente ganhou atenção e popularidade dentro da comunidade ICT for Development (ICT4D).

O projeto "O Robot Ajuda!" procura assim a necessidade de ajudar "alunos diferentes", que muitas vezes não encontram motivação no ensino dito normal, diz o professor de Informática Paulo Torcato.

Secundária Arco Íris e quatro universidades internacionais entre os finalistas do WSIS Price
A história de como uma escola secundária chega a um concurso deste calibre começou há pouco mais de ano e meio (2016), através da Internet.

Com o acumular da experiência ganha ao longo dos anos, o grupo de professores que adotaram o projeto "Robot Ajuda!", e aproveitando o portefólio de atividades desenvolvidas, decidiram concorrer e enviaram a informação.

O espanto foi maior quando receberam uma mensagem eletrónica, nesse ano, a informar o grupo que tinham sido enquadrados na categoria 4 (Capacity building) dos prémios WSIS.

Paulo Torcato refere que no início ficou um pouco surpreendido pelo interesse "e foi com espanto que vimos que no meio de grandes projetos mundiais o nosso tinha qualidade porque foi aceite e foi nomeado."

Já em 2017, a equipa portuguesa, apesar da boa resposta por parte do programa WSIS, achou que não valia a pena voltar a enviar novos dados. A surpresa foi ainda maior quando a organização do concurso internacional voltou a entrar em contacto com os 'pequenos' portugueses a pedir uma nova atualização do projeto educativo.

Na categoria 14, E-Science, estão a concurso cinco projetos. Quatro são de universidades - duas da Malásia, uma da China, uma da Arábia Saudita - e o projeto português “Robot Ajuda!” da Escola Secundária Arco Íris, na Portela.

Dia 20 de março é agora a meta mais desejada. Paulo Torcato vai estar presente na cerimónia onde vão ser anunciados os vencedores das 18 categorias. Diz que a fasquia é alta mas tem a uma boa expetativa. Para já, diz, vai lá para apreciar o momento.

Mas "se por acaso, quando chegar a altura de anunciar o vencedor entre os cinco finalistas na nossa categoria, se ouvir dizer: The Robot Helps, eu ficava muito feliz, não é? Era assim um culminar de um projeto que já tem tantos anos."


WSIS Prices 2018 – 18 categorias para promover o desenvolvimento sustentável
O Fórum da Cimeira Mundial sobre a Sociedade da Informação (WSIS) 2018, representa o maior encontro anual mundial da comunidade "TIC para o desenvolvimento".

Oportunidades para troca de informações, criação de conhecimento e compartilhamento de melhores práticas, ao mesmo tempo em que identifica as tendências emergentes e promove parcerias, levando em consideração a evolução das Sociedades da Informação e do Conhecimento."Os alunos que tínhamos há muitos anos, não são os que temos agora", diz o coordenador do projeto 'Robot ajuda!' Paulo Torcato"

O concurso dos Prémios da WSIS 2018 teve mais de 240 projetos apresentados por governos de vários países. 97 projetos foram submetidos por entidades do setor empresarial, enquanto as entidades da sociedade civil deram um contributo de 82 projetos. Organizações internacionais e outras entidades juntas apresentaram mais de 100 projetos para o concurso dos Prémios WSIS.

A submissão do projeto por região para este ano foi de 12,7% da África, 18,5% das Américas, 16,1% da região árabe, 29,2% da Ásia e Pacífico, 10,4% da CEI, 9,8% da Europa (12,1%), e 14 projetos internacionais.

Um projeto educativo que pode ser o futuro do ensino em Portugal e no mundo
"Os alunos que tínhamos há muitos anos, não são os que temos agora", diz Paulo Torcato.

Na verdade, grande parte do sistema de ensino em Portugal ainda se rege pela antiga cartilha de aplicação do ensino teórico, em contraste com a componente prática. Um sistema que, na opinião de quem ensina, está desatualizado face ao comportamento dos atuais alunos.

Com a evolução da tecnologia os alunos estão expostos a novos conteúdos e a novas ferramentas que lhes permite uma maior interligação e maior desenvolvimento cognitivo.

Vários estudos comprovam que a introdução de novas ferramentas tecnológicas no sistema de ensino têm como resultado uma maior captação de quem aprende, bem como uma maior realidade do que o mundo nos apresenta.

Também a componente prática e a interligação das várias áreas interdisciplinares são uma mais-valia na atual forma de ensino, já comprovadas.

É aproveitando estas mais-valias que o projeto "Robot Ajuda!" se insere. E esta nova forma de ensino obtém uma expressão ainda mais revelante perante alunos em que o enquadramento disciplinar se deve a dificuldades de integração ou ao ensino vocacional, explica Paulo Torcato.

"Eu acho que neste momento estamos num ponto de viragem. (…) As solicitações dos alunos são outras e temos de mudar a nossa maneira de ensinar e do tipo de ensino. O projeto da flexibilização curricular já vai permitindo às escolas, principalmente às escolas piloto, trabalhar de uma maneira diferente e fazer os seus próprios currículos.

O facto é que os alunos que saírem do ensino agora e que forem para o mercado de trabalho vão ser integrados em equipa. Se aqui já vêm habituados a trabalhar em equipa, estamos a preparar alunos para o futuro e para o mercado de trabalho, ao mesmo tempo que estamos a dar todos os ensinamentos necessários. E eles estão a desenvolver as competências necessárias para prosseguir os seus estudos”, diz o professor de Informática e coordenador do projeto.

Uma questão que, no futuro, pode ser tomada em conta, visto que o Ministério da Educação começa a estar ciente do que do melhor se faz por cá.

O "Robot Ajuda" cerca de 250 alunos entre o 2º e 3º ciclos na Secundária Arco Íris (Portela)
O projeto do "Robot Ajuda!", na Secundária Arco Iris, integra atualmente nove turmas do segundo e do terceiro ciclo, num total aproximado de 250 alunos.

Os alunos do terceiro e no quarto ano começam com iniciação à programação e à robótica e os projetos que são feitos abrangem as diversas áreas disciplinares. Dentro desta área os alunos desenvolvem jogos, por exemplo, com a matéria relacionada com sistema digestivo e quando se introduz o robot trabalham na área do português através da construção de histórias narrativas, que mais tarde se transformam em peças de teatro com robots.

Já os alunos mais velhos, do sétimo e oitavo ano, através da disciplina de introdução à robótica, começam a desenvolver pequenos projetos, que podem também servir aos alunos mais novos, diminuindo a diferenciação entre camadas etárias.

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