Viver em sociedade pode ser a chave para durar mais tempo

Não é ainda uma certeza, mas a ciência indica que a vivência em sociedade, entre membros da mesma espécie, pode ser o segredo para a longevidade.

Nuno Patrício - RTP /
Amar pode ser uma das soluções para uma maior longevidade Foto: Rafael Marchate

Os contornos desta pesquisa levaram um especialista em biodemografia da Universidade da Califórnia afirmar que, "se queremos entender a longevidade humana, basta olhar para o mundo animal".

James Carey, investigador na área de biodemografia, explica que estudar outras espécies, desde os insetos aos elefantes, "fornece informações importantes, que de forma indireta explicam o porquê da nossa idade e longevidade”.Estudos cientificos realizados pela Universidade da California indicam que viver em sociedade pode ser a "chave mestra" para uma maior duração de vida.

Segundo Carey, olhando a forma como as várias espécies vivem e se comportam ao longo da vida, bem como o seu tempo de duração, encontra-se alguns princípios orientadores que nos fornecem informação válida para entender a longevidade destas.

Por exemplo, a maioria dos grupos de organismos aparentados, têm longevidades semelhantes, refere o investigador.

Mas nem sempre é assim. E dá outros exemplos: os pássaros “cantores”, tais como os “Bluebird”, geralmente vivem no máximo oito a 10 anos; já os papagaios (papagaio cinzento africano) ou as aves de rapina podem sobreviver por décadas.



As várias espécies podem evoluir no sentido de sobreviver um pouco mais, ou menos, do que espécies estreitamente relacionadas. Estas dependem sempre do tipo de relacionamento social, da necessidade reprodutiva e da sobrevivência.

Mas o leitor provavelmente não vai encontrar uma espécie, como os ratos, a exigir viver 100 anos; ou uma tartaruga que morra num prazo de um mês. Isto, porque os objetivos naturais da especie são diferentes.



As várias investigações apontam que as espécies, que dilataram o seu período de longevidade, enfrentaram, a maior parte delas, dificuldades, como falta de recursos, ou questões climáticas adversas, que resultaram numa adaptação no seu estilo e forma de vida, levando a soluções como, sobrevivência por aglutinação (grupo ou matilha), ou como o caso da espécie humana, que se adaptou, evoluiu, aprendeu em sociedade, criando meios artificiais, para minimizar adversidades e aumentar o período de vida.

Certo é que existem espécies que superam a longevidade humana, mas tudo é uma questão de tempo, e uma das maiores demandas do ser humano é descobrir a fórmula do “Santo Grall” que conduz a tão desejada à imortalidade. Até lá está comprovado que aprender a viver em conjunto e socializar dá já direito a mais anos de vida.
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