"Deixem-se ficar", presidente da Associação de Fundos de Investimento pede calma aos investidores perante aumento das taxas de juro e da inflação

"Deixem-se ficar", presidente da Associação de Fundos de Investimento pede calma aos investidores perante aumento das taxas de juro e da inflação

A crise no Médio Oriente para já não está a ter impacto no investimento a longo prazo nos fundos de investimento.

Rosário Lira /

Imagem e edição vídeo: Pedro Chitas

Em entrevista à Antena 1 e ao Jornal de Negócios, no programa Conversa Capital, João Pratas, presidente da Associação Portuguesa de Fundos de Investimento, Pensões e Patrimónios (APFIPP) diz que não há uma fuga dos mercados de capitais via resgates nos fundos de investimento.

Admite que com o aumento das taxas de juro e da inflação as pessoas ficam mais inseguras.
Ainda assim, recomenda calma aos investidores... "deixem-se ficar", diz.
Já em relação ao impacto dos perigos da Inteligência Artificial (IA) nos mercados, João Pratas considera que os ganhos de produtividade que a IA vai trazer, quando estiver efetivamente implantada, vão sustentar a continuidade da IA e animar os mercados.
Em sentido contrário, o Presidente da APFIPP considera que a Europa está "péssima" e "a perder o comboio". A Europa tem de mobilizar dinheiro para mobilizar os mercados e não está a conseguir.
João Pratas considera válida a decisão do Governo de não avançar já com a reforma da Segurança Social porque deve existir um acordo político e um consenso de uma maioria para que as mudanças não voltem para trás.
No entanto, considera que há medidas que podiam desde já ser tomadas para canalizar as poupanças dos portugueses. E neste sentido defende que no próximo Orçamento do Estado se autonomizem as deduções para meios complementares de reforma para incentivar a sua aplicação.
Assim como, poderia estar no Orçamento, a criação de uma Conta de Poupança Investimento, que já foi apresentada ao Governo.
No Conversa Capital, João Pratas lembra que as reformas vão baixar por causa da alteração ao cálculo feita a partir de 2002.
Apesar de não estar preocupado com um défice de dois mil milhões da Segurança Social, João Pratas lembra que, para além do princípio da sustentabilidade, é preciso considerar a adequação e, acrescenta: se alguém depois da reforma tiver de viver com 1/3 do que ganhava isso não é adequado. Daí a necessidade de se pensar em meios complementares.
Defende que desde já poderiam ser tomadas medidas como o Auto-enrolment previsto no estudo apresentado ao Governo, mas não vê vontade política para que isso aconteça.
Nesta entrevista, João Pratas revelou ainda que os fundos de investimento poderão entrar no mercado de imobiliário acessível se o novo pacote para a habitação entrar em vigor. "Podem fazer repensar", diz.
Entrevista conduzida por Rosário Lira, da Antena 1, e Leonor Ferreira, do Jornal de Negócios.

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