Economia
Conversa Capital
Empresários avisam: não é possível o investimento privado crescer 10% como previsto no OE27
A Confederação Empresarial de Portugal (CIP) diz que não é possível o investimento privado crescer 10 por cento, como está previsto no Orçamento do Estado para 2027 (OE27).
Imagem e edição vídeo: Pedro Chitas
Olhando para as manifestações e greves que se sucedem, Armindo Monteiro pede compromisso: “Estamos manietados por conversas de circunstância que só tem por objetivo fixar clientelas”. Um problema que se estende, diz, à concertação social onde não há nem construção nem colaboração. Armindo Monteiro considera que, por comparação com o passado, há mais crispação porque não há um Governo maioritário e as alterações substanciais acabam por entrar no jogo partidário e não avançam. É o caso da legislação laboral que não avançou e segundo o Presidente da CIP não tem condições para avançar. “Eu sou um otimista, mas não estou otimista”, admite. Quanto ao acordo de rendimentos, Armindo Monteiro adianta que devia ser denunciado pelos patrões. Até porque, sem a produtividade esperada, a maior parte das empresas vão ter dificuldade em acomodar os aumentos do salário mínimo. Aliás, refere o presidente da CIP, mais do que os 970€ previstos para 2027, está fora de questão. Quanto à medida do 15º mês, que se mantém no próximo ano, Armindo Monteiro lamenta os entraves legislativos à sua aplicação e considera que o número de beneficiários poderia ser multiplicado por dez se esses bloqueios não existissem. Sobre as manifestações pela habitação, diz que são um reflexo de uma sociedade que se divide “entre uma minoria ruidosa e uma maioria contida”. Lembra que é preciso “ter consciência do que está a acontecer e que a situação não se resolve como uma lista ao Pai Natal: formulamos desejos e eles acontecem”. Armindo Monteiro defende por isso alterações à forma de construção e à lei dos solos. Entrevista conduzida por Rosário Lira, da Antena 1, e Paulo Pinto Ribeiro, do Jornal de Negócios.