Junção Galp-Moeve. "Nada do que sabemos do negócio põe em causa interesses estratégicos de Portugal" mas "Estado tem uma palavra a dizer"

Junção Galp-Moeve. "Nada do que sabemos do negócio põe em causa interesses estratégicos de Portugal" mas "Estado tem uma palavra a dizer"

Luís Gomes, presidente da APQuímica, a Associação Portuguesa da Química, Petroquímica e Refinação, diz que, para já, com base naquilo que é público, não prevê impactos para o sector do negócio da Galp com a Moeve, a antiga Cepsa.

Rosário Lira /

Imagem e edição vídeo: Pedro Chitas

Lembra que o que há é uma intenção e que é preciso esperar pelo desenvolvimento do negócio e o seu formato final. 

Em termos gerais a APQuímica não se pronuncia sobre os negócios dos seus associados, como é o caso da GALP, mas lembra que o Estado, com os seus 8%, terá uma palavra a dizer. Ainda assim refere que nada do que se sabe até ao momento põe em causa os interesses estratégicos nacionais.
Já quanto aos trabalhadores, Luís Gomes percebe a preocupação, mas ao nível da refinaria não vê que haja problemas.
Acrescenta que em termos de mão de obra, o sector tem falta de trabalhadores especializados e teria capacidade para absorver cerca de mil trabalhadores diretos.
Se o negócio entre a Galp e a espanhola Moeve se concretizar poderá levar a uma fusão de ativos de retalho (postos de combustíveis) e indústria (refinarias) com cerca de 3.500 estações de serviço e três refinarias em dois países, com uma capacidade total de processamento na ordem dos 700 mil barris de petróleo por dia.

Nesta entrevista, o presidente da APQuímica aplaude o acordo da União Europeia com o Mercosul que se traduz numa ajuda à expansão do negócio, mas lembra que "a indústria portuguesa não tem medo da concorrência".
Tanto assim que, apesar de serem contra as tarifas aduaneiras impostas pelos EUA e sobretudo a sua imprevisibilidade, o sector tem na América do Norte o seu segundo mercado de exportação, uma situação que apesar da política errática de Trump deverá manter-se.
O sector tem vindo a crescer a uma taxa média de 5%, tendência que, segundo Luís Gomes, vai manter-se em 2026. Gera um volume de negócios de 17 mil milhões e 4 mil milhões de exportações, o que representa 15% dos bens exportados e investe mil milhões ao ano.

Luís Gomes admite que os custos de contexto, sobretudo ao nível da energia num sector com indústrias fortemente intensivas no consumo de eletricidade, são um problema, mas pior do que isso é o facto de, a este nível, não concorrerem em pé de igualdade com as indústrias europeias. Mais do que baixar o preço da eletricidade, é preciso nivelar os preços na União Europeia, situação que o Governo já defendeu em Bruxelas.
Ainda no apoio à criação de um ambiente económico favorável ao desenvolvimento das empresas defende o fim da derrama estadual.
Entrevista conduzida por Rosário Lira, da Antena 1, e Patrícia Rua, do Jornal de Negócios.
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