Economia
Conversa Capital
Presidente da ANMP receia que apoios após tempestades não cheguem em devido tempo a pessoas e empresas
Em entrevista ao programa Conversa Capital, da Antena 1 e do Jornal de Negócios, o presidente da Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP) assume recear que, tal como aconteceu com os danos provocados pelos incêndios, as empresas e as pessoas não tenham em devido tempo o apoio de que precisam.
Imagem: RTP / Edição vídeo: Pedro Chitas
Esta preocupação estende-se aos municípios que estão a alterar as prioridades que tinham definido e a avançar com as verbas necessárias dos seus orçamentos para fazer face aos estragos das tempestades. Pedro Pimpão promete olhar para o Portugal Transformação, Recuperação e Resiliência (PTRR) apresentado pelo Governo para tentar perceber até que ponto pode vir a ressarcir os municípios e agilizar os mecanismos ao dispor.
Segundo Pedro Pimpão, as prioridades, em termos de apoios, são as pessoas que ficaram sem teto e as empresas, mas, ainda assim, o presidente da ANMP não acredita que as empresas voltem ao que eram. Considera que haverá, isso sim, um novo normal.
Para que estes apoios cheguem a quem são devidos, Pedro Pimpão considera fundamental o papel da Estrutura de Missão com quem anunciou, no Conversa Capital, que vai reunir no próximo dia 4 de março.
Para além das preocupações com as habitações próprias e as empresas, Pedro Pimpão revela uma outra preocupação que, do seu ponto de vista, deve constituir também uma prioridade.
Diz que se nada for feito, só em julho, já em plena época de incêndios florestais, será possível concluir o processo de retirada de toda a madeira das árvores que caiu por terra na sequência da tempestade e que agora constitui matéria combustível. Esta foi a informação transmitida pela Proteção Civil ao Presidente da Associação Nacional de Municípios, que já pediu ao Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) prioridade e um reforço dos meios para a resolução deste problema.
Nesta entrevista ao programa Conversa Capital, da Antena 1 e do Jornal de Negócios, Pedro Pimpão refere que os caminhos já estão limpos, mas agora tem de ser dada prioridade à retirada da madeira com reforço de meios no terreno.
Pedro Pimpão chama ainda a atenção para a falta de recursos para acudir a todas as frentes de obra: as obras do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), as obras para a construção de habitação acessível e agora as obras para recuperar as infraestruturas destruídas pela tempestade. Num contexto de falta de mão e de empresas de construção disponíveis, o Presidente da ANMP admite que o Estado terá de ser ágil porque vai estar a concorrer com os privados.
Olhando para o esforço acrescido que está a ser pedido aos municípios, Pedro Pimpão, lembra que ainda se torna mais urgente avançar com a revisão da Lei das Finanças Locais e assegura que tem a garantia do Governo de que esse processo ficará concluído até ao final do ano.
Quase um mês depois da tempestade Kristin, Pedro Pimpão considera que é evidente que o país não estava preparado e que a resposta operacional tem de ser melhorada.
Apesar de admitir que o papel do responsável pela Administração Interna é relevante nestas situações, não responsabiliza a anterior titular do cargo. Sobre o próximo a assumir funções considera que existem várias opções, mas o perfil de autarca encaixaria bem.
Entrevista conduzida por Rosário Lira, da Antena 1, e Filomena Lança, do Jornal de Negócios.