Economia
Conversa Capital
PRR está dentro das metas, mas é preciso mais cooperação e celeridade nos processos
O PRR está a ser cumprido de acordo com as metas que foram estabelecidas, mas o próximo ano vai obrigar a um esforço adicional por parte de todos. Falhar em 2023 significa comprometer os anos seguintes e o prazo de 2026.
Portugal deve receber durante o mês de novembro o segundo pedido de pagamento e no primeiro trimestre de 2023 será submetido à UE novo pedido de reembolso. Adianta que está atento aos riscos que podem colocar em causa as metas até ao final do ano e, neste momento, está preocupado com a entrega de habitações na Madeira que podem comprometer os objetivos.
Nesta entrevista, Pedro Dominguinhos revelou que o nível de pagamentos se situa nos 1098 milhões, o que significa um aumento de 60 milhões numa semana e que no final do ano pode chegar aos 1400 milhões de euros. Ainda assim, admite que podíamos estar mais à frente se os beneficiários finais fossem mais céleres a assinar os contratos. Considera que a queda do governo atrasou o processo e que em muitos casos a máquina do Estado não estava preparada para a procura que foi, como no caso das agendas mobilizadoras, muito superior ao esperado.
Neste sentido, Pedro Dominguinhos recomenda ao governo "sentido de celeridade", "sentido de urgência" e cooperação entre todos os organismos, para que o PRR seja concretizado conforme previsto. É preciso implementar uma "atitude mais cooperativa entre as entidades" e "ser preventivos em vez de esperar pelo último dia".
Segundo Pedro Dominguinhos, o ano de 2023 é muito exigente e carece de uma colaboração de todos para que se consiga ter as autorizações em tempo útil e propostas para atingir o nível de investimento previsto no OE. Admite que no próximo ano será necessário um "esforço adicional" porque se isso não for feito vai ter consequências nos investimentos nos anos seguintes e a meta de 2026 fica comprometida. Ter mais tempo, como pretende Portugal, facilitava a execução.
Entrevista conduzida pelos jornalistas Rosário Lira, da Antena1 e Joana Almeida do Jornal de Negócios.