José Sócrates opõe-se a fim de benefícios fiscais nos planos-poupança

por Agência LUSA

O candidato a secretário-geral do PS José Sócrates garantiu em Famalicão que, se for eleito, opor-se-á, "por todos os meios políticos", à anunciada retirada de benefícios fiscais aos diversos planos de poupança.

"É mais um ataque deste Governo à classe média a que faremos oposição, porque são medidas iníquas, injustas e reveladoras de grande insensibilidade social", defendeu, vincando que, "não é por aí que se resolvem os problemas orçamentais".

O candidato falava aos jornalistas no final da sessão de esclarecimento realizada segunda-feira à noite no auditório da Fundação Cupertino de Miranda, em Vila Nova de Famalicão, a que assistiram 200 pessoas.

Questionado sobre a diferença percentual existente entre os aumentos salariais previstos pelo Governo, de 2,2 por cento e as propostas sindicais, que chegam aos cinco por cento, José Sócrates referiu que "deve haver moderação salarial, mas sem esquecer que, nos últimos dois anos houve um congelamento salarial que reduziu o poder de compra".

Sobre a percentagem de aumento que defende em concreto para a função pública, José Sócrates disse que não pode "avançar nenhum número concreto", insistindo apenas na "necessidade de se repor o poder de compra dos trabalhadores".

Acerca do desafio que lhe foi lançado perante os militantes do PS de Famalicão por Manuel Alegre para a realização de debates televisivos a dois, Sócrates recusou- se a responder, sublinhando que participou em vários debates e em vários formatos com os outros dois candidatos.

O ex-ministro do Ambiente do Governo de António Guterres disse que o debate interno em curso no PS "é uma lição de democracia que o partido está dar ao país", e frisou que "também a generalidade dos portugueses quer um PS forte que seja alternativa ao falhanço deste Governo".

Sócrates dirigiu fortes críticas à coligação PSD/PP, referindo que "falhou na economia, criando uma crise grave com o consequente desemprego" e acusando-a de "cegueira" ao optar por uma política de cortes orçamentais que paralisou a administração pública e as áreas sociais, como a educação, a saúde e a protecção civil.

Classificou ainda de "escândalo" o processo de colocação de professores, acentuando que "há 10 anos a esta parte que o problema estava resolvido", até que veio o actual Governo estragar tudo: "isto é a maior indecência política que se pode imaginar", lamentou.

José Sócrates expôs também as ideias expressas na moção que apresenta ao Congresso, com destaque para a necessidade de aposta na educação e na qualificação, através de um Plano Tecnológico de médio prazo para o país.

No entanto, lembrou que uma política correcta tem de se centrar, de imediato, no crescimento da economia, porque "só conseguindo voltar à convergência com os países da União Europeia, será possível traçar novos rumos de desenvolvimento económico e social".

O ministro das Finanças confirmou hoje que a compra de Planos Poupança Reforma (PPR) vai deixar de ser dedutível no IRS, mas que se mantêm taxas de imposto reduzidas no momento do resgate daqueles produtos.

Além de cortar parcialmente os benefícios fiscais dos PPR, Bagão Félix admitiu rever os benefícios às contas poupança-habitação.

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