Covid-19. Califórnia recua no desconfinamento e voltar a impor restrições

por RTP
Callaghan O'Hare/Reuters

Um novo pico de infeções levou o Estado da Califórnia a recuar na retoma das atividades económicas e sociais. Bares, restaurantes, igrejas e ginásios vão voltar a fechar de forma a controlar a propagação do novo coronavírus.

Os números de pessoas infetadas e de hospitalizações devido à Covid-19 na Califórnia dispararam no domingo passado. O governador Gavin Newsom anunciou, na segunda-feira, que será necessário voltar a recuar na reabertura e retoma das atividades para controlar a evolução dos novos picos de infeção.

Empresas, bares, restaurantes, jardins zoológicos e museus vão voltar a fechar em todo o Estado. Nas 30 cidades mais afetadas da Califórnia - onde vive quase 80 por cento da população californiana - , os cabeleireiros, os centros comerciais, os ginásios, igrejas e locais de culto e diversos espaços fechados vão ter de suspender também a sua atividade.

"Estamos a voltar a pedir para ficarem em casa", disse Newsom numa conferência de imprensa virtual.

O governadore exigiu, assim, "que todos os condados encerrem as suas atividades internas e operações nos seguintes setores: restaurantes, salas de degustação, cinemas, espaços de entretenimento familiar, jardins zoológicos e museus, salas de jogos e o encerramento de todos os bares".

"Isso aplica-se a todos os municípios do Estado da Califórnia", declarou ainda Newson.

A Califórnia, com mais de 40 milhões de pessoas tem registado uma média de mais de oito mil novos casos por dia desde a semana passada, mais do que o dobro do mês anterior.

Nos distrito mais populosos da Califórnia, Los Angeles e San Diego, foi também ordenado que todas as escolas públicas encerrassem e as aulas, que recomeçam em agosto, funcionassem apenas com o sistema virtual de ensino à distância - restrições que vão contra as decisões da Administração Trump que pediu a abertura dos estabelecimentos de ensino. Newson pediu mesmo que todas as crianças e jovens tentassem ficar por casa o mês de agosto.

"Cabe a todos nós reconhecer que a covid-19 não desaparecerá tão cedo, até que exista uma vacina e/ou um tratamento eficaz", acrescentou o governador que considerou necessário recuar na retoma da economia depois de vários hospitais do Estado atingiram a sua capacidade de internamento.

As hospitalizações aumentaram 28 por cento nas últimas duas semanas em toda a Califórnia, tendo quanse 6.500 pessoas internadas nos hospitais, na segunda-feira.

"Continuamos a ver um aumento nas hospitalizações no Estado, um aumento nos cuidados intensivos e no número de internamentos", disse o governador.

Já no início deste mês Newson tinha identificado os municípios e cidades que estariam numa lista de vigilância e tinha recomendado que voltassem a encerrar restaurantes, teatros, bares, museus, salas de jogos e espaços de entretenimento. Mas esta segunda-feira, o governador estendeu as restrições a todos os 58 municípios da Califórnia, embora na maioria da cidades alguns desses estabelecimentos ainda possam funcionar ao ar livre, incluindo esplanadas e pátios dos restaurantes.
EUA continuam no topo dos mais afetados

Os Estados Unidos têm já mais de 3,4 milhões de pessoas infetadas e mais de 137 mil vítimas mortais, continuando a ser o país mais afetado pela Covid-19.

Embora o número de casos não tenha abrandado, as restrições foram alíviadas ainda em maio e as atividades económicas e sociais retomaram. Mas infeções aumentaram exponencialmente em cerca de 40 dos 50 Estados norte-americanos, nas últimas duas semanas.

À semelhança da Califórnia, a Flórida, o Arizona e o Texas são, neste momento, os novos epicentros da pandemia no país. Aliás, também no Estado da Flórida foi necessário recuar e voltar a impor algumas restrições, de forma a tentar conter os surtos.

Só no domingo passado, a Flórida registou uma aumento de 15.300 novos casos, em apenas um dia.

Na semana passada, o imunologista Anthony Fauci afirmou que alguns Estados norte-americanos mais afetados reabriram as atividades económicas e sociais "prematuramente".

O especialista em doenças infecciosas e consultor médico da Casa Branca disse, mesmo sob críticas de Donald Trump, que os Estados e regiões mais afetadas deviam repensar e suspender a retoma das atividades.

Mas parece que os EUA não são os únicos a ter de dar um passo atrás no alívio das restrições. Na segunda-feira, a Coreia do Sul registou o maior aumento de número de infeções desde março e as autoridades viram-se obrigadas a impor novas restrições fronteiriças.

Dos 62 casos positivos confrmados na segunda-feira, 43 foram de pessoas que vieram de fora do país, considerado um dos que tem combatido a pandemia com mais sucesso. O governo sul-coreano não tinha fechado as fronteiras até agora, nem no início da pandemia, mas desde que surgiram novos casos externos, passou a exigir que viajantes vindos do exterior, realizem um teste diagnótico à Covid-19.
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