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Ensino à distância. STOP assinala desigualdades que põem em causa percurso dos alunos
"Discrepâncias nas matérias lecionadas", "acesso desigual dos alunos" ao novo modelo de aulas, com consequente "injustiça nas avaliações", e professores "ainda mais exaustos" são apenas algumas das conclusões do STOP, com o sindicato a criticar a ausência de directivas precisas do Ministério da Educação às escolas. O balanço surge após uma consulta à classe docente por todo o país cumpridas que estão as primeiras semanas do novo modelo de ensino à distância em tempos de pandemia.
A desigualdade de acesso aos conteúdos e a forma como decorre esse processo em que as novas aulas dependem das plataformas electrónicas são o ponto fulcral de todas as questões levantadas pelo STOP (Sindicato de Todos os Professores).
“Há Escolas a prosseguir com as planificações dos conteúdos programáticos (novos), outras que ficam pela revisão de matérias já lecionadas e outras onde essa decisão é da responsabilidade do professor. Também se verificam diferenças entre Escolas no número díspar de aulas síncronas e assíncronas”, exemplifica o sindicato.
“Aumentaram as dificuldades de aprendizagem sobretudo para os alunos com mais necessidades educativas. Apesar de a maioria dos alunos neste momento estarem com acesso à Internet em casa, as dificuldades de aprendizagem são ainda maiores (sem o apoio presencial dos professores) sobretudo para quem já tinha mais dificuldades”, faz notar o comunicado.
Um factor, sublinha o sindicato, que “põe em causa a equidade no acesso à Educação que a Escola Pública deveria garantir para todos independentemente das suas condições económicas e sociais”.
Da auscultação à classe docente é ainda referido que, no contexto de ensino à distância, “em muitos casos (ex: propostas de atividades a desenvolver pelos alunos) os professores notaram claramente que foi um adulto que realizou (ou ajudou significativamente) na tarefa, em vez de ter sido exclusivamente o aluno”.
Professores próximos da exaustão
O ensino nunca pôde até hoje colocar todos os alunos em igualdade de circunstâncias. As conclusões do sindicato não mencionam este facto, mas não deixam de sublinhar que o novo modelo está já a afectar “significativamente a equidade no ensino em Portugal”, um “direito consagrado na Constituição Portuguesa”.
Governo “não deu orientações às escolas”
O sindicato refere que – apesar do empenho dos professores e dos encarregados de educação – “aumentaram significativamente as diferenças no ensino entre escolas”. O STOP sublinha neste ponto que o Ministério da Educação “não deu orientações precisas às escolas, o que consequentemente levou a diretrizes diferentes em cada Agrupamento de Escolas/Escolas Não Agrupadas”.
“Há Escolas a prosseguir com as planificações dos conteúdos programáticos (novos), outras que ficam pela revisão de matérias já lecionadas e outras onde essa decisão é da responsabilidade do professor. Também se verificam diferenças entre Escolas no número díspar de aulas síncronas e assíncronas”, exemplifica o sindicato.
O STOP assinala que houve ainda casos em que as decisões ficaram a cargo de cada professor.
Avaliações injustas e discrepâncias das matérias
No fim da linha deste novo processo de ensino à distância, lamenta o STOP, muitas das vezes ficam em causa tanto a aprendizagem dos alunos como a sua avaliação, que podem sofrer distorções conforme as suas condições socioeconómicas e escolas que frequentam.
“Aumentaram as dificuldades de aprendizagem sobretudo para os alunos com mais necessidades educativas. Apesar de a maioria dos alunos neste momento estarem com acesso à Internet em casa, as dificuldades de aprendizagem são ainda maiores (sem o apoio presencial dos professores) sobretudo para quem já tinha mais dificuldades”, faz notar o comunicado.
Um factor, sublinha o sindicato, que “põe em causa a equidade no acesso à Educação que a Escola Pública deveria garantir para todos independentemente das suas condições económicas e sociais”.
Da auscultação à classe docente é ainda referido que, no contexto de ensino à distância, “em muitos casos (ex: propostas de atividades a desenvolver pelos alunos) os professores notaram claramente que foi um adulto que realizou (ou ajudou significativamente) na tarefa, em vez de ter sido exclusivamente o aluno”.
Professores próximos da exaustão
O esforço pedido aos professores neste período particular da história, em que todos os quadros são desenhados à medida do combate contra a pandemia do novo coronavírus, foi um dos pontos que mereceu a atenção do comunicado do STOP.
Sublinhando a exigência renovada que é imposta à classe, o sindicato refere que o trabalho dos professores “aumentou brutalmente”, única forma de responder à “necessidade de preparar aulas síncronas e assíncronas, elaborar, enviar e corrigir as atividades propostas, assim como responder às dúvidas de alunos e também encarregados de educação”.
“Neste contexto de pandemia/teletrabalho muitos docentes estão ainda mais perto da exaustão (…) o que compromete, além da sua saúde, a qualidade de ensino para os próximos anos letivos”, alerta o STOP, lembrando que “a maioria dos professores ou já está muito envelhecida ou também é responsável em sua casa por crianças em idade escolar e/ou de idades muito precoces e que precisam de acompanhamento constante que não é compatível com teletrabalho tão exigente”.