"Fora de controlo". Espanha precisa de "medidas drásticas"

por Alexandre Brito - RTP
Imagem de arquivo do ministro espanhol da Saúde Salvador Illa Reuters

Subiu de tom o nível de alerta do Executivo espanhol sobre a situação no país. Em entrevista à rádio Onda Cero, o ministro espanhol da Saúde afirmou que são necessárias medidas drásticas para enfrentar uma pandemia descontrolada. E admitiu que as discussões que tem mantido com colegas europeus apontam para um horizonte de "cinco a seis meses muito difíceis".

As autoridades espanholas estão já a medir a possibilidade de avançarem com medidas ainda mais drásticas para controlar a propagação do vírus que está de novo a atingir o país em força. O recolher obrigatório é uma delas. 

Ainda esta tarde, o ministro espanhol da Saúde vai reunir por vídeoconferência com os chefes de saúde regionais para tentar chegar a um acordo sobre quais as novas medidas a aplicar.

Isto num altura em que a Espanha se tornou no primeiro país da Europa Ocidental a registrar mais de um milhão de casos do novo coronavírus. 

"A segunda onda é uma realidade. Em muitas áreas do nosso país a epidemia está fora de controle", afirmou o ministro da Saúde Salvador Illa à rádio Onda Cero. "Temos que tomar medidas drásticas". 

São palavras num momento em que já várias regiões espanholas admitem a necessidade da implementação imediata de um recolher obrigatório como o que foi implementado em França e outros países europeus. Alguns com taxas de infeção bem mais baixas do que a espanhola.

Na verdade, várias regiões têm implementadas pesadas restrições, como o encerramento mais cedo dos restaurantes. Medidas que não têm sido, no entanto, suficientes. Os espanhóis receiam a cada dia que passa o regresso à situação do início da pandemia, com um sistema de saúde com muitas dificuldades para dar resposta a tantos casos.

Madrid contiua a ser um dos pontos que mais preocupa o governo espanhol. O bloqueio que foi imposto - sob muitas críticas - há cerca de duas semanas está a terminar e a taxa de contágio não tem baixado.

"Estamos às portas do inverno, quando a maioria das atividades é realizada em ambientes fechados, quando a probabilidade de contágio do vírus é maior. Não podemos baixar a guarda", disse o ministro espanhol da Saúde. "O horizonte que temos discutido com técnicos do ministério e colegas europeus é de cinco a seis meses muito difíceis". 

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