Governo grego apela à Igreja ortodoxa para respeitar confinamento

O primeiro-ministro grego Kyriakos Mitsotakis apelou hoje à Igreja ortodoxa da Grécia, que pretende celebrar a Epifania em pleno confinamento, para "assumir as suas responsabilidades" e "participar no grande esforço para limitar as consequências da epidemia" do coronavírus.

Lusa /

Este apelo surgiu um dia após a publicação de um comunicado do Santo-Sínodo, organismo dirigente da Igreja conservadora grega, indicando que a Igreja "não iria aceitar as medidas impostas pelo Governo" e que as igrejas estariam abertas em todo o país para celebrar na quarta-feira, 06 de janeiro, a festa ortodoxa da Epifania.

Num breve encontro presencial que hoje decorreu entre o arcebispo Jerónimo II, chefe da Igreja da Grécia, não separada do Estado, e Kyriakos Mitsotakis, o primeiro-ministro sublinhou "a necessidade de respeito estrito das medidas sanitárias para todos", e incitou "a Igreja a dar o exemplo", indicou um comunicado governamental.

O executivo conservador de Atenas atenuou em dezembro o estrito confinamento imposto em 07 de novembro, com a aproximação das festas de fim de ano, e autorizou celebrações religiosas com um número limitado de fiéis nos locais de culto, onde é obrigatório o uso da máscara.

Devido aos receios de uma terceira vaga, o Governo decidiu no passado sábado reimpor um confinamento estrito, pondo termo às celebrações nas igrejas e encerrando o comércio não essencial.

A segunda vaga da pandemia no país foi mais grave do que a da primavera: Os números oficiais indicam 5.000 mortos desde o surgimento do vírus em fevereiro, dos quais mais de 4.000 registados nos dois últimos meses.

A Igreja ortodoxa da Grécia, muito influente no país, foi criticada por diversas vezes pelo desrespeito das medidas sanitárias destinadas a conter a covid-19. O Governo limitou-se até ao momento a apelar à "responsabilidade individual" dos fiéis para se protegerem do vírus.

Diversos membros do clero optaram por não usar máscara, não manterem o distanciamento social necessário, e alguns foram observados em vias de praticar a comunhão.

Pelo menos cinco prelados foram contaminados pela covid-19, com pelo menos duas mortes. O arcebispo Jerónimo II, 82 anos, foi hospitalizado durante vários dias em dezembro.

A pandemia de covid-19 provocou pelo menos 1.854.305 mortos resultantes de mais de 85 milhões de casos de infeção em todo o mundo, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Em Portugal, morreram 7.286 pessoas dos 436.579 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

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