Novo ministro das Relações Exteriores defende diplomacia das vacinas no Brasil
O novo ministro das Relações Exteriores do Brasil, Carlos Alberto Franco França, defendeu hoje que a diplomacia do país está comprometida em obter vacinas contra a covid-19, com o desenvolvimento económico e a sustentabilidade ambiental.
As afirmações foram feitas no seu discurso de posse numa cerimónia realizada no Palácio do Planalto, em Brasília, em que o diplomata destacou que "as missões diplomáticas e consulados do Brasil no exterior estarão cada vez mais engajados numa verdadeira diplomacia da saúde".
"Em diferentes partes do mundo, serão crescentes os contactos com governos e laboratórios, para mapear as vacinas disponíveis", acrescentou.
Franco França, diplomata de 56 anos, substituiu Ernesto Araújo, que renunciou na semana passada após uma forte pressão de parlamentares da base de apoio do Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, que estavam insatisfeitos com a condução da política externa o país.
O novo ministro das Relações Exteriores destacou que o Brasil vive um momento de emergências, citando em primeiro lugar a crise sanitária provocada pela covid-19, que já causou cerca de 333 mil motes e mais de 13 milhões de casos no país.
"A primeira urgência deve ser o combate à pandemia", disse Franco França, que prometeu realizar "consultas crescentes com governos e empresas farmacêuticas" para conseguir maior acesso do país às vacinas e "aos remédios necessários para o tratamento da doença".
Franco França destacou ainda que a segunda urgência do país é económica.
"Para crescer, e gerar mais empregos, a agenda da modernização da economia é fundamental (...) Não há modernização sem mais comércio e investimentos, sem maior e melhor integração às cadeias globais de valor -- daí o significado da nossa pauta de negociações comerciais", defendeu.
"Não há modernização sem a exposição do país aos mais elevados padrões de políticas públicas -- por isso é importante o nosso cada vez mais estreito relacionamento com a OCDE. Não há modernização sem abertura ao mundo -- e por essa razão a nossa política externa tem um sentido universalista, sempre guiado pela proteção de nossos legítimos interesses", acrescentou.
Por fim, Franco França falou sobre meio ambiente, frisando que o mundo vive um momento de urgência climática, adotando um tom diametralmente diferente do seu antecessor no cargo, Ernesto Araújo, que negava o aquecimento global.
Franco França declarou que "não se trata de negar os desafios que obviamente persistem", mas de mostrar ao mundo que "no desenvolvimento sustentável, o Brasil está na coluna das soluções".
O novo ministro não citou os problemas na Amazónia, que colocaram em causa o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia (UE), mas disse que diante de todas essas "emergências o diálogo deve prevalecer no nível multilateral.
"Aqui, como em outras áreas, vemos diante de nós a oportunidade de manter o Brasil na vanguarda do desenvolvimento sustentável e limpo", defendeu.
Além do novo titular das Relações Exteriores, assumiram oficialmente as novas atividades os ministros da Casa Civil, Luiz Eduardo Ramos, da Justiça e Segurança Pública, Anderson Gustavo Torres, da Defesa, Walter Braga Netto, da Secretaria de Governo, Flávia Arruda, e da Advocacia-Geral da União, André Mendonça.