Ómicron. África do Sul alivia restrições após pico de infeções

por Inês Moreira dos Santos - RTP
Mike Hutchings - Reuters

A África do Sul, onde foi detetada pela primeira vez a variante Ómicron, anunciou na quinta-feira o abrandamento das restrições relacionadas com a covid-19, nomeadamente o fim do recolher obrigatório. As autoridades de saúde sul-africanas acreditam que o pico de infeções já passou e que o país já ultrapassou a quarta vaga da pandemia.

Com a aproximação das celebrações de fim de ano, o número de casos a diminuir e as declarações de esperança da Organização Mundial de Saúde – que acredita que em 2022 o mundo pode combater a pandemia – a população sul-africana já pedia, nos últimos dias, o fim do recolher obrigatório, em vigor entre as 0h00 e as 4h00. Os proprietários de restaurantes e bares lançaram mesmo uma petição online designada "Abaixo o recolher obrigatório", dirigida ao Presidente Cyril Ramaphosa.

E, na quinta-feira, o Governo decidiu levantar o recolher obrigatório no país com efeito imediato.

“Todos os indicadores sugerem que o país pode ter ultrapassado o pico da quarta onda a nível nacional”, anunciou a Presidência num comunicado.

“O recolher obrigatório foi levantado. Portanto, não há mais restrição de horários de trânsito”, continua o documento, acrescentando que a venda de bebidas alcoólicas passa também a ser autorizada a partir das 23h00 nos estabelecimentos licenciados.

O Governo tomou a decisão com base na trajectória da pandemia, nos níveis de vacinação no país e na capacidade disponível no setor de saúde, de acordo com o comunicado assinado pelo ministro na Presidência para o Planeamento, Monitorização e Avaliação, Mondli Gungubele.

De acordo com os dados divulgados pela Secretaria de Saúde da África do Sul, os novos contágios desceram 29,7 por cento na semana passada (89.781), em relação à semana anterior (127.753). Também os internamentos devido à covid-19 diminuíram em oito das nove províncias do país.

“Embora a variante Ómicron seja altamente transmissível, as taxas de hospitalização têm sido inferiores às das vagas anteriores” e o aumento do número de óbitos é “marginal”, continuou a Presidência.
Risco de novo aumento de infeções “continua elevado”
Com quase 3,5 milhões de infetados e 91 mil mortos, a África do Sul é o mais afetado pela pandemia no continente africano, tendo sido o país onde foi também detetada a Ómicron pela primeira vez, no mês passado. Mas com este novo alívio de restrições, o país passa a estar no nível mais baixo de alerta.

Além do levantamento das restrições à circulação da população, o executivo decidiu permitir os ajuntamentos, limitados a não mais de mil pessoas no interior e a não mais de duas mil pessoas ao ar livre. E o uso de máscara continua obrigatório em espaços públicos.

A variante Ómicron, como recorda o Governo no comunicado, apresenta um elevado número de mutações e é a razão de uma nova vaga da pandemia com aumento exponencial de casos.

“O risco de aumento de infeções continua elevado dada a alta transmissibilidade da variante Ómicron”, advertiu ainda a Presidência, que também apela à vacinação.

Desde que as autoridades sanitárias sul-africanas deram o alerta, a 24 de novembro, foram notificadas infeções em pelo menos 110 países, sendo já a variante dominante em Portugal e originou um regresso das restrições, o teletrabalho, os eventos cancelados e os confinamentos em diversos países.
Ómicron obriga a restrições no Ano Novo no resto do mundo
Enquanto a África do Sul começa a ver a quarta vaga ultrapassada e a aliviar as restrições, há vários países que estão a conter os festejos de fim de ano. É o segundo ano que a pandemia da covid-19 está a condicionar as celebrações de passagem de ano, com novas restrições impostas em muitos países em resposta à nova vaga de infeções devido à variante Ómicron.

Em Portugal, onde a Ómicron já é responsável pela maioria das novas infeções, os bares e discotecas estão encerrados até dia 10 de dezembro, estão proibidos os ajuntamentos com mais de dez pessoas na rua e o consumo de bebidas alcoólicas na via pública, por exemplo.

Em França, as discotecas também estão encerradas, os estabelecimentos que vendam bebidas alcoólicas não podem estar abertos depois das 2h00, a máscara voltou a ser obrigatória na rua e todos os eventos com fogo-de-artifício e concertos de Ano Novo foram cancelados.

Em Espanha, os festejos da passagem de ano foram cancelados na maioria das regiões e nove em cada dez das cidades mais populosas do país não celebrarão as “campanadas”, as 12 badaladas da meia-noite tocadas pelos sinos das igrejas, que assinalam a chegada do novo ano, ao som das quais, segundo a tradição, os espanhóis formulam 12 desejos ao comerem 12 passas de uva, como em Portugal.

Na Áustria, um dos países europeus mais afetados, em novembro, pela quarta vaga da pandemia, vigora ainda um confinamento só para os não-vacinados, além de outras restrições que afetam toda a população, como o encerramento dos restaurantes às 22h00, também na noite da passagem de ano, por receio de uma quinta vaga impulsionada pela variante Ómicron, mais contagiosa que as anteriores e que é já dominante nas infeções detetadas em Viena.

Já no outro lado do planeta, na turística ilha de Bali, na Indonésia, foi feita uma advertência geral: qualquer estrangeiro apanhado a infringir as regras sanitárias durante as celebrações do novo ano será expulso do país, segundo as autoridades. Em 2021, cerca de 200 turistas foram expulsos de Bali, sete dos quais por violação das normas sanitárias, como o uso obrigatório de máscara.

Na cidade australiana de Sydney, haverá fogo-de-artifício como de costume, mas quem quiser assistir é aconselhado a reservar antecipadamente bilhetes para se dirigir a um dos vários pontos de observação existentes por toda a cidade, e a não se deslocar para o centro sem bilhetes, que são gratuitos, para que as autoridades possam controlar o número de pessoas que se concentra em cada um dos recintos.

pub