Oposição defende que vídeo comprovou interferência política de Bolsonaro na Polícia Federal

Líderes da oposição avaliaram que um vídeo divulgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do Brasil, na sexta-feira, provou uma alegada tentativa de interferência política na Polícia Federal por parte do Presidente do país, Jair Bolsonaro.

Lusa /

Guilherme Boulos, um dos líderes do Partido Socialismo e Liberdade (Psol), que concorreu a Presidência em 2018, disse acreditar que Bolsonaro confessou a sua intenção de praticar crimes no material divulgado hoje.

"URGENTE! Bolsonaro confessa crime no vídeo: `Eu não vou esperar f* [palavrão] a minha família toda, de `sacanagem`, ou amigos meus, porque eu não posso trocar alguém da Segurança na ponta da linha. Vai trocar.` Não são palavras de um chefe de Estado, mas de um chefe de milícia!", frisou numa mensagem no Twitter.

Fernando Haddad, do Partido dos Trabalhadores (PT), candidato derrotado por Bolsonaro na segunda volta das últimas presidenciais, também avaliou que o vídeo comprova as denuncias feitas contra o chefe de Estado.

Outro político da oposição, o governador do estado brasileiro do Maranhão, Flávio Dino, filiado ao Partido Comunista Brasileiro (PCdoB), defendeu que o vídeo apresentou provas contra Bolsonaro, que podem justificar um processo de destituição.

"Na forma e no conteúdo, a tal reunião ministerial revela um repertório inacreditável de crimes, quebras de decoro e infrações administrativas. Além de uma imensa desmoralização e perda de legitimidade desse tipo de gente no comando da nossa Nação", escreveu Dino no Twitter.

"O vídeo da reunião ministerial é grave porque: 1. Confirma a delação de Sérgio Moro. 2. Contém diversos crimes contra a honra. 3. Revela planos de "armar a população" para fins POLÍTICOS. 4. Mostra inequívocos impulsos despóticos", acrescentou.

Já o governador de São Paulo, João Doria, ex-aliado de Bolsonaro que foi pessoalmente citado na reunião por Bolsonaro de forma pejorativa lamentou o conteúdo revelado pelo STF.

"O Brasil está atónito com o nível da reunião ministerial. Palavrões, ofensas e ataques a governadores, prefeitos, parlamentares e ministros do Supremo, demonstram descaso com a democracia, desprezo pela nação e agressões à institucionalidade da Presidência da República", escreveu Doria no Twitter.

Assim como Doria, Wilson Witzel, governador do Rio de Janeiro, ex-aliado de Bolsonaro nas que se distanciou do Presidente ao final das eleições, também foi citado de forma pejorativa por Bolsonaro na reunião revelada no vídeo e também reagiu.

"A falta de respeito de Bolsonaro pelos poderes atinge a honra de todos. Sinto na pele seu desapreço pela independência dos poderes. E espero que num futuro breve o povo brasileiro entenda que, do que ele me chama, é essencialmente como ele próprio se vê", criticou Witzel, também no Twitter.

O video citado por políticos que fazem oposição ao Governo brasileiro mostrou uma reunião ministerial que aconteceu em Brasília, no dia 22 de abril, citada como prova pel ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sergio Moro dentro de uma investigação da Procuradoria-Geral da República.

No final de abril, Moro levantou suspeitas contra Bolsonaro ao declarar que ele tentou interferir na Polícia Federal para obter informações sobre investigações sigilosas em inquéritos que envolvem os seus filhos e aliados próximos.

Em depoimento prestado à Polícia Federal depois que o escândalo tornou-se público, Moro alegou que o vídeo da reunião realizada em 22 de abril comprovaria a tentativa de interferência política de Bolsonaro denunciada por ele e o material foi enviado ao STF para análise.

O relator do caso, o juiz Celso de Mello, recebeu material na semana passada e decidiu divulga-lo quase na íntegra, excluindo apenas trechos que citam países aliados do Brasil.

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