Mundo
COVID-19
Reunião do G7 com partilha de vacinas na ordem de trabalhos
Naquela que vai ser a primeira participação no G7 do recém-empossado Presidente norte-americano Joe Biden, o combate à pandemia e as vacinas estarão no centro do debate. Boris Johnson deverá defender a partilha de vacinas entre países pobre e ricos no seu discurso. Macron já o fez em entrevista e o secretário-geral da ONU já muito que tem endereçado um apelo a uma partilha equitativa de vacinas.
A reunião junta Estados Unidos, França, Reino Unido, Alemanha, Itália, Japão e Canadá, com presença de chefes da União Europeia. Será o Reino Unido a assegurar a presidência rotativa do grupo, desta vez, virtual.
Paralelamente, Boris Johnson vai ainda pedir apoio a uma iniciativa que visa criar um objetivo de 100 dias para o desenvolvimento de vacinas para futuras doenças emergentes.
O Reino Unido encomendou mais de 400 milhões de doses de várias vacinas, portanto muitas ficarão por administrar.
No entanto, a decisão de como e quando serão distribuídas estas vacinas deverão surgir no fim do ano, de acordo com a informação conhecida.
Ministros advertem para as datas da cadeia de fornecimento e para a eventual necessidade de doses de reforço no outono.
Macron. 4 a 5% da vacinas para países pobres
Esta quinta-feira, o Presidente francês advogou, em entrevista ao Finacial Times, o envio por parte dos países ricos de 4 a 5% dos seus fornecimentos atuais para as nações mais pobres. Pede que o envio para África aconteça “muito rápido para que as populações as vejam a chegar rapidamente ao terreno”.
Macron revelou que Merkel apoia uma iniciativa europeia de partilha de vacinas, acrescentando que espera que os Estados Unidos se possam juntar igualmente. Na ausência desse esquema, diz o presidente francês, a China e a Rússia preenchem a lacuna “num caminho de guerra de influência através das vacinas”.
Emmanuel Macron não tem dúvidas de que a incapacidade de distribuir vacinas irá agravar as desigualdades mundiais.
O ministro James Cleverly revelou à BBC Radio 4 que o Reino Unido está a analisar uma partilha de uma “quantidade mais significativa” do que a defendida por Macron. E garantiu que a promessa de envio de vacinas para outros países não será usada como “vantagem diplomática de curto prazo”.
No entanto, admite que nesta altura ainda será difícil determinar quando poderá ser feita a partilha de vacinas.
Doação de Biden à Covax
O Governo britânico já doou 548 milhões de libras para a Covax, o organismo das Nações Unidas destinado a garantir uma distribuição equitativa de vacinas a nível mundial. No Reino Unido, já 17 milhões de pessoas receberam pelo menos uma dose de vacina, com 573,724 desses já com a vacinação completa.
A chanceler alemã quer, por seu lado, ver o “G7 a tomar mais responsabilidade” tendo em vista a resposta à pandemia, de acordo com o seu porta-voz.
Biden alterou a posição em relação a muitas das posturas da anterior Administração Trump. No entanto, quanto à China, não há rutura com o passado e mantém a posição de firmeza, também no que toca ao início da pandemia.
Dez países = 75% vacinação mundial
Na quarta-feira, o secretário-geral das Nações Unidas António Guterres denunciou “uma desequilibrada e injusta” distribuição de vacinas contra a Covid-19. Revelou que apenas dez países administraram 75% do total da vacinação no mundo, enquanto 130 países não receberam uma única dose de vacina.
Alguns dos países mais ricos encomendaram doses suficientes para vacinar as suas populações mais do que uma vez.