16 directores contestam posições de Dalida Rodrigues

Dezasseis directores de museus nacionais subscreveram um abaixo-assinado em que põem em causa declarações e posições de Dalila Rodrigues, a directora do Museu Nacional de Arte Antiga a quem não foi renovada a comissão de serviço, segundo documento a que a agência Lusa teve hoje acesso.

© 2007 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A. /
Dalila Rodrigues respondeu ao abaixo-assinado (ver artigo relacionado) Lusa

Dalila Rodrigues «tem, por diversas vezes, passado a imagem pública de que tal ideia (autonomia financeira e gestão dos museus) merecia a concordância de outros directores de museus nacionais, assumindo, de certa forma, uma posição de representação da classe museológica portuguesa, de que ela própria se reconhece o direito de liderar», diz a determinado passo o documento.

Os subscritores salientam que Dalila Rodrigues era directora «apenas há três anos» e que nenhum dos 16 directores conferiu «poderes de representação à directora do Museu Nacional de Arte Antiga como porta-voz da classe museológica portuguesa a que igualmente pertencem, nem lhe reconhecem esse papel a que se arroga».

Na quarta-feira, o director do Instituto dos Museus e Conservação, Manuel Bairrão Oleiro, comunicou à directora do Museu de Arte Antiga, Dalila Rodrigues, que a sua comissão de serviço não seria renovada.

A decisão motivou críticas do CDS/PP e do PSD e a realização de uma vigília de protesto junto ao Museu.

Paulo Henriques, actual director do Museu Nacional do Azulejo, sucederá a 01 de Setembro a Dalila Rodrigues à frente do Museu Nacional de Arte Antiga.

"A existência do Instituto Português de Museus, agora Instituto dos Museus e Conservação, permitiu melhorar de forma notória a qualidade dos serviços prestados pelos museus portugueses, no âmbito das suas missões", lê-se no documento assinado pelos 16 responsáveis por museus portugueses.

Para além de referirem que Dalila Rodrigues não foi nomeada "líder" dos restantes directores, os subscritores afirmam que a existência de um "organismo coordenador dos museus nacionais sob administração central do Estado" nunca foi encarada como uma medida "cerceadora da autonomia técnica e programática dos museus".

"Nenhum director dos museus sob administração central do Estado", que assina a nota à imprensa "concorda com a autonomização do Museu Nacional de Arte Antiga relativamente aos restantes museus nacionais, uma vez que tal medida afectaria gravemente a coerência da política museológica nacional que se deseja cada vez mais aprofundada", referem os subscritores.

A nota é assinada por: Luís Raposo, director do Museu Nacional de Arqueologia; por Silvana Bessone, directora do Museu Nacional dos Coches; Maria João Vasconcelos, directora do Museu Nacional Soares dos Reis; Pedro Redol, director do Museu Nacional Machado de Castro; Madalena Brás Teixeira, directora do Museu Nacional do Traje; José Carlos Alvarez, director do Museu Nacional do Teatro; Cristina Horta, directora do Museu da Cerâmica; Maria Isabel Cunha e Silva, directora do Museu D. Diogo de Sousa; Aida Rechena, directora do Museu Francisco Tavares Proença Júnior; Isabel Fernandes, directora do Museu de Alberto Sampaio.

Ana Paula Abrantes, directora do Museu Grão Vasco (cargo que Dalila Rodrigues ocupava antes de assumir funções no Museu Nacional de Arte Antiga) também subscreve o documento.

A directora do Museu da Guarda, Dulce Pires Borges bem como Matilde Tomás do Couto, directora do Museu José Malhoa, Maria Helena Trindade, directora do Museu da Música, José Alberto Ribeiro, director da Casa-Museu Anastácio Gonçalves e Sérgio Gorjão, director do Museu das Terras de Miranda são os restantes assinantes da nota enviada à imprensa.

Com excepção do Museu dos Coches que "continua a ser, de forma destacada, o museu com o maior número de visitantes com entradas pagas, os directores de museus nacionais garantem que "nenhum museu sob administração central do Estado assegura a cobrança de receitas capazes de cobrir as suas despesas de funcionamento".

Assim, os subscritores defendem que "o actual quadro legislativo, consubstanciado no diploma orgânico do Instituto dos Museus e da Conservação, já assegura uma contrapartida financeira aos museus sob administração central do Estado".

PUB