2009, Ano Brasil na Casa da Música, no Porto

Porto, 14 Jan (Lusa) - A Casa da Música (CdM), no Porto, inicia domingo a sua programação dedicada ao Brasil, país/tema de 2009, com um concerto duplo do trio de Jaques Morelenbaum e de Bill Frisell com Vinicius Cantuária, disse hoje à Lusa fonte da instituição.

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Jaques Morelenbaum dispensa apresentações, já que é um dos músicos brasileiros mais internacionais da actualidade, explorando, com o seu trio, clássicos bem conhecidos da Música Popular Brasileira (MPB) dando-lhes um sabor misto de samba e jazz em improvisações inspiradas.

Na segunda parte do concerto, o jazz entra em jogo no reencontro entre dois músicos conhecidos pela sua versatilidade criativa, o guitarrista norte-americano Bill Frisell, cuja produção mostra uma atenção constante às linguagens da chamada `world music`, e Vinicius Cantuária, um autor incontornável da MPB.

"Contos do Brasil", a 06 (21:00, na Sala Suggia) e 08 de Fevereiro (12:00, no mesmo local) pela Orquestra Nacional do Porto, dirigida por Peter Rundel, são os episódios seguintes do Ano Brasil, cujo programa apresenta música de diversos locais do Brasil, danças e cantares tradicionais de diferentes paragens e, nalguns casos, histórias encantadoras.

Para que os espectadores os descubram em detalhe, o espectáculo conta com a presença de um narrador e as habituais ilustrações musicais da Orquestra Nacional do Porto.

No primeiro destes concertos estão previstas obras de Heitor Villa-Lobos ("Uirapirú"), duas obras de Darius Milhaud e uma Bernd Alois Zimmermann.

O programa do concerto de 08 de Fevereiro é mais curto, repetindo apenas duas últimas obras do concerto anterior.

A 21 de Fevereiro, para o Concerto de Carnaval, vai estar na Casa da Música o grupo Bengalafumenga, termo empregado por Gilberto Freyre em alguns dos seus escritos que, por dedução, se entende ter o significado de "reles", ou "pouco significante" e que acabou por ser conferido às casas do Rio de Janeiro onde se organizavam festas musicais com samba e batuque.

Para este espectáculo na CdM, os Bengalafumenga (grupo com 15 elementos) trazem consigo a cantora Elza Soares, que com cinco décadas de carreira, é considerada uma das musas do samba.

No dia seguinte a ONP também faz a sua celebração do Carnaval com músicas cariocas, danças extrovertidas e de acentuado bom humor, homenageando igualmente Villa-Lobos no cinquentenário da sua morte.

O compositor mais conceituado do Brasil nasceu no Rio de Janeiro e tem nas Bachianas Brasileiras um dos maiores tributos jamais feitos à obra de Bach.

O virtuoso do trompete Hakan Hardenberger interpreta a Bachiana n.º 9 numa transcrição que realizou para o concerto de gala do Campeonato do Mundo de Futebol de 2006.

Dia 26, é a vez de actuar Cyro Baptista, virtuoso percussionista brasileiro, que é, desde a década de 80, uma das grandes referências mundiais da percussão no jazz e na world music.

Trabalhou desde então com inúmeros músicos, entre os quais Herbie Hancock, Sting, Milton Nascimento ou Paul Simon.

Vem ao Porto com o saxofonista nova-iorquino John Zorn, com quem tem desenvolvido uma colaboração regular.

Os dois músicos são acompanhados em palco pelo duo Ttukunak das percussionistas bascas Maika e Sara Gómez, especialistas na txalaparta (instrumento tradicional de percussão basco).

O passo seguinte do Ano Brasil (a 14 de Março) está integrado nos Concertos para Violoncelo da CdM e é dado pelo violoncelista brasileiro António Meneses, vencedor do Concurso Internacional Tchaikovski de Moscovo aos 24 anos e cujo nome ficou consagrado internacionalmente pela gravação do Duplo Concerto de Brahms na companhia de Anne-Sophie Mutter, sob a direcção de Karajan.

Membro do já extinto Trio Beaux Arts, António Meneses foi responsável pela recuperação de importantes obras do repertório brasileiro, nomeadamente os dois concertos para violoncelo de Villa-Lobos e a Fantasia que interpreta neste concerto.

Inserido no Festival Suggia, o programa do concerto, em que a ONP será dirigida por Klaus Weise, tem início com Saint-Saëns, numa das obras que melhor explora a longa tessitura do violoncelo, assim como a sua fusão com as sonoridades da orquestra.

No dia seguinte, às 12:00, o Quarteto Sabiá, formado por solistas da ONP conhecidos não só pela sua qualidade artística e musical como pela sua enorme versatilidade interpretativa, oferece um concerto com obras de amplo espectro estilístico.

O programa abrange desde obras de Eduard Grieg, até interpretações de temas e canções de Astor Piazzola, Tom Jobim, Ivan Lins, Kurt Weill, Carlos Gardel e outros compositores que fazem parte do património da Música Ligeira do séc. XX.

O primeiro trimestre do Ano Brasil termina com o pianista João Donato, num encontro com figuras notáveis da música brasileira.

João Donato, que foi, nos anos 50, um dos mais importantes inspiradores do surgimento da bossa nova, deixou-se seduzir na década seguinte pelo jazz e pela música afro-cubana, impondo-se posteriormente como um autor incontornável da MPB.

Para este concerto, João Donato convida dois cantores célebres do Brasil, Joyce e Emílio Santiago, e um trio de instrumentistas onde sobressai o guitarrista Ricardo Silveira, um músico que há 25 anos colabora com Donato na internacionalização da música instrumental brasileira.

Na bateria estará Robertinho Silva, enquanto Luiz Alves assegura o baixo.

O país/tema da CdM é já uma tradição que vai no terceiro ano e na qual a programação da instituição dá atenção especial à música de um determinado país, escolhido anualmente.

O Brasil foi antecedido pelos Países Nórdicos (2008) e Espanha (2007).

PF.

Lusa/Fim


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