50 anos de Portugal pelas objectivas dos fotógrafos da Magnum no CCB
Um olhar de Portugal nos últimos 50 anos pelas objectivas dos fotógrafos da Agência Magnum é apresentado numa exposição que é inaugurada sexta-feira no Centro Cultural de Belém, em Lisboa.
Desde Henri Cartier-Bresson que visitou Portugal em 1955, até às recentes missões fotográficas de Susan Meiselas, Josef Koudelka e Miguel Rio Branco, o ano passado, 13 fotógrafos mostram Portugal.
Como explicou a directora da Agência Magnum, em Paris, Diane Dufour, "os fotógrafos na sua plena liberdade balançam entre a fotografia de cariz mais jornalístico, que revela o momento e é documental, e a de carácter mais artístico".
A ideia da exposição partiu de Alexandra Fonseca Pinto, uma das comissárias, ao lado de Andrea Holzerr, que ao visitar os arquivos da Magnum encontrou mais de 1.000 imagens de Portugal, a maioria inéditas.
Quatro anos passaram entre ideia e a concretização da exposição, tendo surgido ainda a proposta de fotógrafos da Magnum captarem Portugal "na viragem do século".
Foram escolhidos "três fotógrafos que a maturidade da sua obra tornava inquestionáveis", explicou Alexandra Fonseca Pinto.
Os fotógrafos - Susan Miselas, Josef Koudelka, Miguel Rio Branco - fizeram escolhas distintas de um Portugal no início do século XXI.
Miselas escolheu fotografar o bairro da Cova da Moura (Amadora) onde, segundo Margarida Fonseca Pinto mostra "cenas da vida familiar e de convívio comunitário" que contrastam com "o sinónimo de marginalidade que o bairro para a maioria dos portugueses".
A fotógrafa, por seu turno, salienta também o "forte sentido de comunidade" que caracteriza o bairro mas onde "certas encruzilhadas devem ser evitadas".
Koudelka, que já estivera em Portugal na década de 1970, percorreu o país, procurando apenas paisagens.
"Concentrei-me a fotografar paisagens", afirma Koudelka para reconhecer que encontrou um "outro país".
"Portugal mudou desde os anos setenta, mas eu também mudei", afirma.
Nos anos 1970 o checo Koudelka fotografou Portugal com uma máquina standard de 35 milímetros.
Já na missão realizada o ano passado, usou uma máquina fotográfica panorâmica de grande formato.
O terceiro fotógrafo é o brasileiro Miguel Rio Branco, que frequentou a escola primária em Portugal.
No seu trabalho, como explicou Margarida Fonseca Pinto, há referências "às suas recordações e vivências pessoais".
Por outro lado, afirma Margarida Fonseca Pinto, as fotografais de Rio Branco "confronta-nos com a as cicatrizes deixadas pelo acaso, pela vida ou pelo tempo".
Nesta mostra, patente até 28 de Agosto no Centro de Exposições do Centro Cultural de Belém, hipótese também de ver trabalhos realizados por fotógrafos da Magnum na década de 1960, na seguinte, nomeadamente durante o período revolucionário (1974/1975).
Esta exposição, segundo Alexandra Fonseca Pinto "procurou-se, sobretudo, fazer coincidir o interesse histórico e cultural com as imagens que melhor exprimissem o olhar singular de cada um dos fotógrafos que passaram por Portugal ao longo dos últimos 50 anos".