"98 Octanas", de Fernando Lopes, revela país fascinante à beira estrada
O filme "98 Octanas", que estreia quinta-feira, mostra duas pessoas em viagem e sem destino, tendo em fundo uma paisagem fascinante, descreveu o realizador Fernando Lopes à agência Lusa.
Depois de "Lá Fora", rodado num condomínio privado, Fernando Lopes quis ir para espaço aberto, filmando num cenário de auto-estrada e estações de serviço, quase em jeito de "road movie".
A matriz do filme está em "Cimêncio", livro de Nuno Cera e Diogo Lopes, filho do cineasta, que retrata em texto e fotografia as periferias urbanas de Lisboa e o universo das estações de serviço das auto-estradas portuguesas.
"É uma investigação no sentido de viagem e de errância", explicou Fernando Lopes, que assina o argumento em parceria com o crítico de cinema João Lopes.
A história passa-se entre Dinis e Maria, que se encontram por acaso numa estação de serviço e decidem partir juntos pela auto- estrada, num ambiente muitas vezes feito de betão.
Dentro do carro, "num ambiente obsessivo e fechado, como em `Lá Fora`", as duas personagens confrontam-se em conversas e silêncios.
A rodagem decorreu na auto-estrada entre Lisboa e Porto, o que permitiu a Fernando Lopes um confronto com uma realidade "fascinante".
"É uma paisagem cheia de gente em movimento, de pessoas perdidas ou em peregrinação, de encontros curiosos e fortuitos", referiu o autor.
Os protagonistas do filme são Rogério Samora, repetente nos filmes de Fernando Lopes, e Carla Chambel, uma estreante no universo feminino do realizador.
Se Rogério Samora já faz parte da "família e da trupe meio cigana", tendo rodado quatro filmes com Fernando Lopes, Carla Chambel "apareceu por acaso", impressionando o realizador pela "força e por ter um rosto de estranheza, como uma raposa que se encontra à beira da estrada".
"Fizemos uma coisa rara em Portugal, que é filmar cronologicamente, progredindo à medida que a história se desenrola, e o trabalho decorreu muitas vezes sem rede, o que permitiu uma entrega total à leitura das personagens e deixou marcas nos dois actores", recordou o cineasta.
Além de Rogério Samora e Carla Chambel, três outros actores dão corpo ao filme: Márcia Breia, Fernando Heitor e Joaquim Leitão.
O filme, que estreia em seis salas de Lisboa e Porto, foi produzido pela Clap Filmes, de Paulo Branco, tem banda sonora de Bernardo Sassetti e fotografia de Edmundo Díaz.