A carruagem do atentado constitui atractivo num museu de Vila Viçosa
Teodósio Caeiro (texto) e Nuno Veiga (fotos), da agência Lusa
Vila Viçosa, Évora, Jan (Lusa) - A carruagem que transportava o Rei D. Carlos quando foi assassinado há cem anos é o principal atractivo da exposição permanente de carruagens de Vila Viçosa, no Paço Ducal, um núcleo do Museu Nacional dos Coches.
O Landau, antiga carruagem de tracção animal, de quatro rodas, com capota de abrir e fechar e dois bancos frente a frente, onde seguia a família Real quando ocorreu o regicídio, está exposto no Museu de Carruagens da vila alentejana do distrito de Évora.
A carruagem do final do século XIX, na qual são visíveis as marcas das balas, foi fabricada em Portugal.
De acordo com um guia do museu de Vila Viçosa, João Malta, "muita gente desconhece que aquela carruagem está em Vila Viçosa".
"Muitos visitantes do museu obtiveram esta informação através dos guias durante a visita ao Paço Ducal", acrescentou.
Segundo também disse, há "poucas pessoas" informadas acerca da passagem do centenário do regicídio, no próximo dia 01 de Fevereiro, mas nos últimos quatro meses tem havido visitas de historiadores interessados nesta efeméride.
Teresa Albuquerque, da Covilhã, reconheceu à agência Lusa que antes da visita desconhecia que estava ali a carruagem que transportava o Rei D. Carlos quando foi morto, assim como não sabia que o regicídio ocorreu há cem anos.
"Fiquei a saber isto durante a visita ao museu, que gostei muito, e vi a própria carruagem onde estão assinalados os tiros", disse.
José Carlos Friaças, 59 anos, residente no Cacém, lembra-se da data do regicídio por ter em casa dois jornais da época com as notícias dos assassinatos e dos funerais, uma "herança" do bisavô.
Em declarações à Lusa, após visitar o museu, José Carlos Friaças disse que apenas na véspera da visita, num hotel de Estremoz onde pernoitou, teve conhecimento da existência em Vila Viçosa da carruagem do regicídio.
"O museu está muito completo, muito bonito e bem conservado", afirmou.
Rita Fernandes, de Évora, após visitar o Palácio Ducal de Vila Viçosa, recordou uma visita que efectuou há algum tempo ao Museu de Carruagens da "Vila Museu", afirmando que tem "uma colecção muito valiosa".
A 01 de Fevereiro de 1908, na Praça do Comércio, em Lisboa, o Rei D. Carlos e o príncipe herdeiro, D. Luís Filipe foram assassinados por dois elementos da Carbonária quando regressavam de Vila Viçosa.
Manuel Buíça, armado com uma carabina Winchester, disparou e matou o Rei e o Príncipe Real, tendo sido secundado por Alfredo Costa, que disparou uma pistola Browning FN sobre os corpos do Rei e do Príncipe, já mortos.
O regicídio foi visto como o derradeiro passo para o fim da monarquia, que ocorreu dois anos depois, em 1910.
Em 1984, um acordo com a Fundação da Casa de Bragança permitiu a instalação no Paço Ducal de Vila Viçosa de um anexo do Museu Nacional dos Coches, no qual se expõem ao público viaturas pertencentes, na sua maioria, à colecção do museu.
O Museu de Carruagens de Vila Viçosa inclui ainda algumas viaturas do Palácio Nacional da Ajuda, dos museus de Évora, e Machado de Castro, de depósitos privados e as do próprio Paço Ducal.
A exposição está organizada por núcleos ocupando a antiga cocheira Real e as cavalariças do Paço Ducal.
Entre as 75 viaturas expostas, destacam-se alguns coches e berlindas do século XVIII pertencentes à família Real e uma grande variedade de viaturas de gala do século XIX e início do século XX.
De acordo com dados do Instituto dos Museus e da Conservação (IMC), em 2007 o Museu de Carruagens de Vila Viçosa recebeu 16.535 visitantes.
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