"A charrua e as estrelas" em cena no Teatro municipal de Almada
"A charrua e as estrelas", uma peça do dramaturgo irlandês Sean O`Casey centrada nas repercussões da "Páscoa sangrenta de 1916" sobre o operariado da Irlanda, vai estar em cena no Teatro Municipal de Almada (TMA) entre 20 de Setembro e 14 de Outubro.
A peça, uma das mais marcantes da obra de O`Casey (1880-1964), foi estreada a 17 de Julho no último festival de Almada mas teve apenas, além desta, mais uma representação, no dia seguinte.
Nas palavras do encenador, o francês Bernard Sobel, O`Casey faz "um ajuste de contas com uma página da História do seu país e da sua cidade, a `Páscoa sangrenta de 1916, em Dublim" mas, ao espectador de hoje, esta peça "fala de outra coisa: a história de seres humanos que, num momento de desordem, são arrancados às suas vidas normais (...)" e "tentam, de uma forma dolorosa, escapar a qualquer preço às consequências desta desordem".
Co-produção entre o TMA e o Teatro dos Aloés, "A charrua e as estrelas", traduzida por Helena Barbas, contou para a sua realização com a participação de vários criadores franceses: além de Bernard Sobel na encenação, Jacqueline Bosson na cenografia, Mina Lee nos figurinos, Bernard Vallery no som e Vincent Millet na luz.
O elenco, inteiramente português, é constituído por Alberto Quaresma, Bruno Martins, Catarina Ascensão, Catarina Guimarães, Cecília Laranjeira, Elsa Valentim, Francisco Costa, Jorge Silva, Luís Ramos, Maria Frade, Mário Jacques, Miguel Martins, Pedro Walter, Teresa Mónica e Tiago Barbosa.
Sean O`Casey, um dos mais importantes dramaturgos de língua inglesa do século XX, nasceu em Dublim e envolveu-se na luta pela independência irlandesa, temática a que consagrou várias obras teatrais.
Bernard Sobel, fundador do Théâtre de Gennevilliers - Centro Dramático Nacional desde 1983 -, na periferia de Paris, participou em dois Festivais de Teatro de Almada, em 2002 com "O Refém", de Paul Claudel, e em 2006 com "Dom, Mecenas e Adoradores", de Ostrovski.
Na sua actividade como encenador, montou mais de oitenta peças, desde clássicos gregos como Eurípides a contemporâneos como Brecht, Heiner Muller e Sarah Kane, passando por Marlowe, Molière, Kleist e Schiller.