A eleição de Trump contou com as redes sociais alertam diretores de jornais
Lisboa, 09 nov (Lusa) -- Responsáveis do Financial Times e da Bloomberg Media acreditam que a eleição de Donald Trump poderá ter beneficiado das redes sociais, alertando hoje, durante a Web Summit 2016, para a crescente importância do jornalismo sério e independente.
"A guerra mundial nos media" foi o tema que juntou ao final da manhã de hoje, no palco principal da Web Summit 2016, administradores do Financial Times (FT), da Bloomberg Media e da Adblock Plus, um programa que permite aos utilizadores controlar as suas experiências quando navegam na internet.
O plano inicial era discutir os problemas com que se deparam as empresas de comunicação social num tempo em que as informações são disponibilizadas gratuitamente na internet, mas a vitória de Donald Trump na corrida à Presidência dos Estados Unidos da América acabou por ser alvo de debate.
A questão foi levantada pelo moderador, Michael Hirschorn, da companhia nova-iorquina de media Ish Entertainment: "O desastre que foram as eleições teve alguma relação com o trabalho dos media? (..) De quem é que acham que foi a culpa?"
Justin Smith, presidente executivo da Bloomberg Media, chamou a atenção para a presença das inúmeras plataformas sociais que existem atualmente que acabam por retirar leitores aos media que disponibilizam informação independente e credível.
Na mesma linha de opinião, a responsável do Financial Times, Cait O´Riordan, deu como exemplo muitas das informações que os leitores recebem através de redes sociais como o Facebook e o Twitter, que por vezes são oriundas de fontes duvidosas.
"Há muito valor no trabalho que nós fazemos e, diria mesmo, que esse trabalho nunca teve tanto valor", alertou Cait O´Riordan, sublinhando que "as pessoas têm de pagar pelos serviços de informação" dos órfãos de comunicação social.
A sobrevivência dos media nos dias de hoje foi precisamente o tema do debate que decorreu ao final da manha no Center Stage, com os responsáveis a reconhecerem que a disponibilização gratuita de conteúdos é uma das maiores preocupações.
"A internet com informação aberta deve ser vista como uma oportunidade e não como uma ameaça", defendeu Till Faida, da Adblock Plus, sublinhando que o browser que criou permite dar aos leitores o poder de escolha.
Justin Smith acredita que "tal como aconteceu no passado, quando apareceram outras tecnologias, agora também serão encontradas soluções".
"Estamos a chamar a atenção das pessoas para o facto de existir muito ruído", garantiu por seu turno a responsável do Financial Times.