"A Filha Rebelde" editado em Espanha dois anos depois da obra original
A tradução espanhola de "A Filha Rebelde", livro de José Pedro Castanheira e Valdemar Cruz sobre a filha do último director da PIDE que se apaixonou pela revolução cubana, já está em venda em Espanha.
A editora Temas e Debates, que publicou a obra em 2003, anunciou hoje que o livro sobre a vida de Annie Silva Pais é editada em Espanha pela Circe, de Barcelona, e tem em destaque na capa a frase "La mujer que cambió su vida por el Che Guevara".
O livro, desenvolvido a partir de uma reportagem publicada pelos dois jornalistas no Expresso e que venceu um Prémio Gazeta de jornalismo, será difundido em todos os países de língua espanhola, disse a editora portuguesa.
Em Portugal o livro sobre a filha de Fernando Silva Pais (director da PIDE entre 1962 e 1974), que abandonou a família em pleno Estado Novo português para passar a residir em Cuba, vai já em quinta edição, estando em curso a sua adaptação ao cinema.
Aos 30 anos, Annie revelou uma ardente paixão por Che Guevara, vindo a enamorar-se do médico pessoal de Fidel Castro e a estabelecer uma prolongada relação com o ministro do Interior cubano, José Abrantes, só regressando a Portugal após o 25 de Abril de 1974.
Já em Portugal, Annie - cujas relações com a família se mantiveram tensas - trabalhou para o Movimento das Forças Armadas durante o Verão Quente de 1975, regressando no ano seguinte a Cuba, onde acabaria por morrer, vítima de cancro, em 1990.
à data do lançamento em Portugal, José Pedro Castanheira explicou à Lusa que "o livro surgiu porque muito material tinha ficado fora da reportagem publicada, o que foi frustrante".
"Assim, ficou decidido prolongar a investigação, acabando este livro por ser, em parte, uma biografia de Annie e uma biografia, a primeira, do seu pai", declarou.
Valdemar Cruz e José Pedro Castanheira deslocaram-se a Cuba, onde recolheram depoimentos, tendo também ouvido os testemunhos do ex- marido de Annie Silva Pais e de um primo direito da protagonista, ambos actualmente a residir na Suíça.
O acesso aos arquivos de Salazar e da PIDE/DGS, a polícia política do antigo regime, bem como ao diário incompleto de Armanda Silva Pais, mãe de Annie, foi determinante na investigação dos dois jornalistas.
Dedicado sobretudo à reportagem sobre a História recente de Portugal e das ex-colónias, José Pedro Castanheira, que nasceu em Lisboa em 1952 e tem formação na área da economia e do jornalismo, trabalha desde 1974, com passagens pelo matutino A Luta e pelo semanário O Jornal.
Valdemar Cruz nasceu em 1956 em São Pedro da Cova, Gondomar, licenciou-se pela Faculdade de Letras do Porto e é jornalista profissional desde 1976, tendo iniciado a sua actividade em O Diário e colaborado em diversas publicações nacionais e estrangeiras.
O jornalista José Pedro Castanheira foi presidente do Sindicato dos Jornalistas e Valdemar Cruz fez parte dos corpos gerentes do Sindicato em diversos momentos, sendo os dois actualmente jornalistas do semanário Expresso e tendo vários livros publicados.