A magia da magia que a televisão não corta
Lisboa, 30 jan (Lusa) -- O ilusionismo tem truques mas também humor, teatro e cores, música, criatividade e sobretudo emoções, dizem os mágicos a propósito do dia que lhe é dedicado. A televisão, garantem, não acaba nunca com a magia da magia.
"O que mais importa é criar emoções", diz Mário Daniel, mágico de profissão, ou melhor dizendo, ilusionista. Não o foi João Bosco, padre, canonizado pelo papa Pio XI em 1934. Mas em jovem terá ajudado o rendimento familiar fazendo magias e malabarismos e, por isso, o "seu" dia, 31 de janeiro, é também o dia dedicado aos ilusionistas.
A arte de produzir ilusões antecede João Bosco, mas foi Houdini (tinha 14 anos quando João Bosco morreu, em 1888) quem a celebrizou. Hoje em Portugal há nomes incontornáveis no mundo da magia, como o de Luís de Matos. David Sousa, Helder Guimarães (a viver nos Estados Unidos) e a dupla Pedro e Gonçalo do projeto "Ta na Manga" já foram premiados em campeonatos mundiais de magia.
"Para mim é uma felicidade enorme ser mágico", garante Mário Daniel, conhecido pelo programa televisivo "Momentos Mágicos" e com o espetáculo "Fora do Baralho" que o obriga a viajar constantemente, na semana passada em Sintra, já este fim de semana em Vila Real.
O ilusionismo é uma "paixão" e quando "corremos por prazer não nos cansamos", contrapõe David Sousa, premiado dezenas de vezes, muitas delas em festivais internacionais, como de resto Mário Daniel.
Ou Gonçalo Jorge, médico, e Pedro Teixeira, engenheiro, vencedores do campeonato mundial de magia em 2012. "Sou mais mágico do que médico", diz Gonçalo à Lusa.
A profissão, no entender de Mário, David e Gonçalo, está bem e, como qualquer outra, exige muito trabalho. E que não haja ilusões, não são programas televisivos que ensinam como se fazem os truques que vão tirar "a magia da magia".
"É um exemplo a não seguir" afirma Mário Daniel, acrescentando depois que as pessoas têm memória curta e que ao fim de alguns meses já não percebem como funciona um truque que tenha sido desvendado na televisão.
David Sousa contrapõe: não me agrada (os programas que revelam os truques). Mas considera também que há o fator esquecimento, além de que até pode servir para aguçar a curiosidade dos mais jovens.
"Não é simpático nem faz muito sentido, mas há muitas maneiras de criar ilusões, a magia é a arte de criar emoções fortes. E desvendar truques pode despertar o interesse na magia, até porque os truques que são desvendados são mais os clássicos", diz Gonçalo Jorge.
Mário Daniel, como David Sousa, Gonçalo Jorge ou Pedro Teixeira, têm magias que eles mesmo criaram, que dão trabalho mas que são "motivadoras". "Pensamos no que seria extraordinário acontecer, sem barreiras físicas, e vamos ver, com as ferramentas que temos, como nos podemos aproximar da perfeição", diz Mário.
David Sousa, que também dá conferências sobre magia, especializou-se em "fazer uma abordagem diferente a partir de coisas que já existem", sempre tendo em conta que "o truque não é tudo", que é preciso "originalidade" e que "não se deve partir de um truque, mas do sonho de um truque".
Com a crise haverá maiores dificuldades para alguns, mas - diz Gonçalo Jorge - o projeto "Ta na Manga" anda mais pelo estrangeiro. E garante: "a magia não é uma arte menor, pode é haver profissionais menores. Há mágicos excecionais e nós queremos integrar esse grupo".
No dia que lhes é dedicado, mas também nos outros, essa é uma característica dos mágicos, a busca da perfeição, como a é a paixão ou o trabalho, a criação de emoções e a encenação dos truques. Porque afinal, dizem, "o ilusionista é um ator que faz o papel de mágico".