A noite apoteótica de Katia Guerreiro no Olympia em Paris

Paris, 24 jan (Lusa) - A estreia da fadista Katia Guerreiro no Olympia, em Paris, na segunda-feira à noite, foi apoteótica, com lotação esgotada e aplausos longos desde o primeiro fado à ovação de pé antes do final do alinhamento.

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"Foi uma noite mágica", disse em cena a fadista que abriu a noite com o fado Licas, de Armando Machado, para um poema de João Mário Veiga, especialmente escrito para esta atuação.

Seguiram-se três fados tradicionais, o Vianinha, Fé e Georgino, para poemas de António Gedeão, António Lobo Antunes e Maria Luísa Batista, respetivamente.

Com a sala de dois mil lugares esgotada, Katia Guerreiro foi passando em revista todos os seus álbuns e revisitando repertórios, nomeadamente o de Amália, a quem se referiu como "a única diva do fado".

A plateia não poupou elogios à fadista: "A menina é linda", "és única" e "ah fadista" foram alguns dos elogios ouvidos sonoramente.

Apesar do desafio do público, que se lhe dirigiu em português, Katia Guerreiro foi apresentando cada um dos fados e falando da "honra e emoção" de atuar no palco parisiense, sempre em francês.

"Foi uma noite verdadeiramente mágica e será sempre especial para mim", afirmou katia Guerreiro, visivelmente emocionada, e que fez questão de nomear toda a sua equipa e levar a palco alguns elementos.

O público, fortemente lusófono, aplaudiu e acompanhou com palmas alguns temas.

"Foi uma bela `soirée`, vim de Toulouse para ouvi-la e valeu muito a pena", disse à agência Lusa Pedro Sousa no final de cerca de duas horas de espetáculo.

Katia Guerreiro interpretou alguns fados acompanhada ao piano, depois de uma breve explicação histórica sobre "a subida do fado das tabernas aos salões da nobreza".

Num dos temas esteve ao piano o guitarrista Pedro Castro. Outros músicos da noite foram Luís Guerreiro (guitarra portuguesa), João Mário Veiga (viola), Francisco Gaspar (contrabaixo) e ainda os pianistas Ricardo Vieira e Tomohino Hata.

O espetáculo foi gravado com vista à edição daquele que será o primeiro DVD da carreira de 11 anos da artista.

"Vir ao Olympia é um marco ainda hoje, muito fruto dos gloriosos anos da era Bruno Coquatrix", disse a Lusa Jean Laffite que desde 1974 segue a carreira de vários fadistas e se afirma um "amante confesso do fado".

Coquatrix foi o empresário que renovou a sala da Rua das Capucines, em meados do século XX e liderou a programação até à década de 1980.

A noite foi marcadamente ibérica, com a primeira parte, de trinta minutos, preenchida pela jovem esperança do flamenco, Rocio Marquez, acompanhada por Alfredo Lagos na guitarra flamenca.

 

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