Academia do Bacalhau, um mecanismo de solidariedade

Em Bruxelas há portugueses que se juntam à mesa para divulgar e saborear o bacalhau e angariar fundos para ações de solidariedade. A Academia do Bacalhau está há cinco anos na Bélgica, foi fundada na África do Sul e está presente em quatro continentes.

Andrea Neves - correspondente da Antena 1 /
A Academia do Bacalhau foi fundada em 1968 na África do Sul e está presente em quatro continentes Andrea Neves - Antena 1

A Academia do Bacalhau foi fundada em 1968 na África do Sul e está presente em quatro continentes. Ganha vida em cada lugar onde há portugueses que gostam de comer, bem e com sabores da terra, mas que querem também ajudar quem mais precisa.

Em Bruxelas, onde se juntaram este fim de semana, a academia existe há cinco anos. No início não eram mais de 15, mas agora o bacalhau já junta mais de 50 pessoas. À mesa o encontro acontece de dois em dois meses. Sabem que vão comer bacalhau mas não sabem como porque, afinal, até há 1001 maneira de o preparar, ou mais. Por isso deixam essa decisão para os restaurantes portugueses que aderem à iniciativa.

Desta vez o bacalhau veio à minhota, como explicou Albano figueiredo, o empresário de restauração que abriu as portas para este jantar.

“Hoje, nas entradas servimos umas pataniscas de bacalhau e polvo com molho verde. Depois veio o bacalhau à minhota. O bacalhau é passado por ovo e farinha e é frito. Depois é servido com uma cebolada e batatas com casca”.

Participar nestes jantares é uma das “obrigações” de quem faz parte desta academia. É que afinal quantos mais forem mais se junta para ajudar os outros. Uma parte do que se paga em cada jantar é guardada para ser depois aplicada em obras de solidariedade.
Comer, conviver e ajudar quem mais precisa
Isabel Rocha diz que já ajudaram a construir casas para famílias pobres em Timor, já enviaram para São Tomé o material que uma escola precisava durante um ano, já contribuíram para ajudar as vítimas dos incêndios em Portugal e já ajudaram uma mãe solteira, na Bélgica, a adquirir a cadeira de rodas especial que o filho, uma criança com várias necessidades especiais, precisava.

“Fazer parte desta academia é fazer parte de uma vontade de pertencer a um grupo que tenta ajudar os outros quando se tem uma certa qualidade de vida quando conhecemos pessoas que não têm. E não têm não porque não querem, mas porque não podem. E depois há pessoas que têm vergonha de assumir que não podem, o que ainda é muito português. A Academia do Bacalhau quer ajudar sobretudo ajudar essas pessoas, as que precisam mas não têm coragem de dizer que precisam. Seja aqui, em Bruxelas, seja em qualquer Academia do Bacalhau do mundo”, refere Isabel Rocha.

Os pedidos chegam quase sempre através de outras associações, que estão mais no terreno e conhecem as situação. Mas estes apreciadores de bacalhau ajudam sempre que podem nas situações de emergência. Armando Maia, um dos fundadores, diz que sempre que é preciso agir logo convoca uma reunião e faz uns telefonemas para garantir o apoio que é pedido.

“Sempre que ligo às pessoas elas respondem positivamente porque percebem que é uma situação de emergência. Quando alguém morre e não há dinheiro para levar o corpo para Portugal por exemplo”.

No jantar deste fim de semana estiveram vários portugueses que vivem em Bruxelas e dois que vieram de Ostende, na Flandres Ocidental, para onde se quer expandir as actividades da academia.

Vítor Alves Gomes, o presidente da mesa da academia, quer que sejam mais a comer porque isso significa que serão mais a ajudar quem precisa.

“Hoje vieram pessoas da Flandres porque a ideia é ter jantares em Bruxelas mas também na Flandres. E hoje veio também uma convidada da África do Sul onde a Academia do Bacalhau foi fundada, onde nasceu”.

No fim do jantar todos são chamados a avaliar o que comeram. Será assim durante todo o ano e depois, por altura do Natal, quando a academia faz anos, atribuem um certificado ao restaurante que naquele ano melhor confecionou o bacalhau.

Sabores de casa, convívio e solidariedade. Uma marca a ganhar força em Bruxelas com portugueses que garantem que o bacalhau é bom, mas ajudar sabe sempre muito bem.
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