Adelaide Ferreira quebra "jejum" de cinco anos e edita "Esqueço-me de te esquecer"
Lisboa, 17 nov (Lusa) -- A cantora Adelaide Ferreira regressou a estúdio, após uma ausência de cinco anos, e gravou um álbum predominantemente de baladas, "Esqueço-me de te esquecer", que será editado na sexta-feira.
"Foi um bom e excelente jejum", disse a cantora à agência Lusa referindo-se aos cinco anos de ausência dos estúdios sem gravar qualquer original, durante os quais fez concertos, participou numa telenovela e lançou uma coletânea com os melhores temas de uma carreira que conta já 30 anos.
"Esqueço-me de te esquecer", com o selo da Espacial, surgiu numa altura em que a cantora sentiu que tinha de dar outro rumo à carreira.
"Senti que tinha de tomar conta da minha carreira, que tinha de ser eu própria a gerir a minha vida na música", afirmou Adelaide Ferreira.
"Senti-me apta quer do ponto de vista vocal, quer pessoal, e até físico para fazer um grande disco", acrescentou.
Referindo-se ao álbum, explicou: "É o resultado do trabalho de um ano de um compositor, o Paulo Martins, que é um grande cantor e músico, e de uma cantora que se juntam numa entrega total ao que mais gostam de fazer que é a música".
"Esqueço-me de te esquecer", sétimo álbum de originais, é constituído por treze temas, a maioria de Paulo Martins, assinando Adelaide Ferreira um tema, "O caminho p`ra casa", havendo ainda uma canção em inglês, "The truth", e outras assinadas por João Portugal, Nuno Barroso e Zé Manel Bicho, dos Fingertips.
Não é a primeira vez que Adelaide Ferreira se assume como autora e compositora, tendo assinado em anteriores álbuns, "Dava tudo", "Amantes imortais", Alma Vazia", ou "Penso em ti, (eu sei)" com que venceu em 1982 o Festival RTP da Canção e foi representar Portugal à Eurovisão.
O novo álbum "está carregado de emoções, nesse sentido é muito forte e resulta poderoso", garantiu.
A canção que abre o disco, e que lhe dá o título, foi a primeira a ser escrita: "É uma canção com uma grande carga emotiva, de sofrimento e de tristeza que me fez chorar", contou.
Para cantar esta canção, como para cantar outros temas, Adelaide Ferreira afirmou que usou as suas recordações como "um laboratório de emoções" no sentido "de passar um sentimento também forte para quem, as ouve".
A canção "The truth" é uma exceção que confirma uma regra da cantora: "Eu defendo sempre a minha língua, o Português, não canto melhor em nenhuma outra língua, os meus cinco sentidos são em Português".
Adelaide Ferreira, 52 anos, começou carreira como atriz em meados da década de 1970, tendo integrado o elenco do Teatro Aberto, e participado no filme "Kilas, o mau da fita", de José Fonseca e Costa.
Grava dois singles, "Meu amor (vamos conversar os dois"), com participação de Paulo de Carvalho, e "Espero por ti", mas o seu nome saltará para a ribalta musical com "Baby suicida", editado em 1981.
Editou vários outros discos de sucesso, como "Não, não e não" e em 1984 ganhou o Prémio de Interpretação do Festival RTP da Canção com "Quero-Te, Choro-Te, Odeio-Te, Adoro-Te". Neste mesmo ano conquista o 2.º lugar no Festival da OTI com "Vem no meu sonho".
NL.