Adriano Parreira eleito primeiro africano na Academia Portuguesa de História

Lisboa, 10 Jan (Lusa) - Adriano Parreira, professor angolano da Universidade Agostinho Neto em Luanda, foi eleito o primeiro académico africano membro da Academia Portuguesa de História, revelou à Lusa a instituição que pretende receber em breve representantes dos restantes PALOP.

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Para Adriano Parreira, a inédita nomeação tem um "evidente" cunho de "encetar laços profundos e contínuos com as instituições e personalidades do meio científico angolano", um passo que considera natural, "porque a história de Portugal e do Brasil estão ligadas intimamente com a história de Angola".

"Dentro do contexto da globalização, é um caminho inevitável de aproximação" dos povos de língua portuguesa, que "nem sempre tem sido cumprido com os melhores resultados", disse, em entrevista à Lusa, o académico que já se encontra em Lisboa para se juntar à Academia numa cerimónia a decorrer em 16 de Janeiro.

Para Parreira, a eleição para a Academia "é o prémio pelo esforço pessoal desenvolvido nos últimos 30 anos no contributo para o debate em volta da história e cultura de Angola, expansão portuguesa, descobrimentos e o triângulo Atlântico Brasil-Angola-Portugal".

O nome de Adriano Parreira foi proposto pela presidente da Academia Portuguesa de História, Manuela Mendonça, e votado unanimemente pelos restantes membros.

Até agora, a Academia tinha um membro africano, o cardeal angolano Alexandre Nascimento, mas este apenas a título honorífico.

A nomeação de Parreira "significa o princípio do projecto" de aproximação às academias dos países africanos lusófonos, à semelhança da colaboração que já hoje se faz com a academia brasileira", disse à Lusa Manuela Mendonça, presidente da instituição que é herdeira da Academia Real Portuguesa da História, criada em 1720, no reinado de D. João V.

O histriador angolano espera que a entrada da Academia, que será oficializada a 16 de Janeiro, ajude também a desbloquear o projecto pessoal da criação da Academia Angolana de História, que considera estar a ser ignorado pelas autoridades de Luanda devido ao seu papel de político da oposição, enquanto presidente do Partido Africano da Independência.

"É evidente que as portas se têm fechado porque se trata de alguém que não pertence ao partido [MPLA]. Ainda prevalece este espírito oportunista que terá de abandonar as instituições públicas angolanas, porque os angolanos estão apostados na mudança", disse à Lusa o académico angolano.

O "prémio" de entrada na Academia portuguesa, considera, vai agregar pessoas em torno do projecto da congénere angolana, numa fase em que estão em elaboração os estatutos e se procura uma sede para a instituição.

Diplomata, além de historiador, Adriano Alfredo Teixeira Parreira, 55 anos, é natural do Namibe, filho de um locutor da Rádio Televisão Portuguesa.

É doutorado pela Universidade de Uppsala (1985), na Suécia, mas passou também pelo Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa, Universidade Católica Portuguesa e Universidade Nova de Lisboa.

Actualmente é professor na Universidade Agostinho Neto, em Luanda, onde lecciona o mestrado em História de Angola, e é docente também no Departamento de Ciências Sociais.

Leccionou ainda na Universidade norte-americana Johns Hopkins, na Universidade Nova de Lisboa e foi investigador do Instituto de Investigação Científica Tropical.

Foi bolseiro Full-Bright, da Fundação Luso-Americana, da Comissão Nacional para a Comemoração dos Descobrimentos Portugueses e da Fundação Calouste Gulbenkian.

Entre as suas obras mais recentes destacam-se Breve História Cronológica da História de Angola, Séculos XV-XVII, Efemérides da História de Angola, O Conceito de Negro no Renascimento e Economia e Sociedade em Angola na Época da Rainha.

Em vias de publicação está o Dicionário de Etnologia Angolana, entre outras obras.

Adriano Parreira foi também embaixador itinerante e, entre 1994 e 1997, embaixador extraordinário de Angola junto das Nações Unidas em Genebra e Organizações Internacionais sediadas na Suíça.

A imposicao das insígnias, colar e entrega de diploma a Adriano Parreira terá lugar no Palácio dos Lilases, em Lisboa, sede da Academia Portuguesa de História, a 16 de Janeiro.

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