Alain Robbe-Grillet culpa os seus filmes de lhe "roubarem" o Nobel

O escritor e cineasta francês Alain Robbe-Grillet afirmou na capital mexicana que a difusão dos seus filmes na Suécia foi a razão pela qual não obteve o Prémio Nobel da Literatura em 1985, atribuído ao seu compatriota Claude Simon.

Agência LUSA /

Em conferência de imprensa, o chefe de fila do movimento literário "Nouveau Roman" dos anos 50 contou que, quando a Academia sueca da Língua o chamou para o entrevistar em Estocolmo, porque desejava premiar um escritor novo, "desgraçadamente" a cinemateca da cidade decidiu inaugurar um ciclo retrospectivo com os seus filmes.

"Nesse momento, vi como o meu prémio Nobel ficava cada vez mais longe", observou com humor o escritor, autor de livros como "O ciúme", "No Labirinto" e "Djinn".

"A sociedade sueca - argumentou - era na realidade especialmente puritana e não suportava a perversão que havia nos meus filmes, pelo que houve uma avalanche de artigos na imprensa em que se falava da `pornografia francesa`. Portanto, não houve prémio Nobel".

Ainda segundo Robbe-Grillet, posto de lado o seu nome, a Academia teve de escolher entre Claude Simon e Nathalie Sarraute, também membros do "nouveau roman", movimento que integrava nomes como Robert Pinget, Samuel Beckett, Jean Ricardou, Claude Ollier, Michel Butor e Marguerite Duras.

O escritor está no México para participar numa série de "diálogos" universitários.

Na sua avaliação, foi mais importante a ruptura que operou com os seus filmes do que com os seus livros.

Autor do argumento de "O ano passado em Marienbad", realizado por Alain Resnais, e director de filmes como "A imortal", Robbe- Grillet está convencido de que se, em 1985, tivessem lido na Suécia obras como "A náusea", de Jean-Paul Sartre, ou "O Estrangeiro", de Albert Camus, os suecos "não se teriam surpreendido tanto" com os livros que ele próprio escreveu e que "se inscrevem numa linha de continuidade".

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