Álbum de Marina Tavares Dias mostra fotografia rara de D. Carlos a rir
Lisboa, 18 Dez (Lusa) - Uma fotografia do Rei D. Carlos a rir é uma das "raridades" incluídas num álbum biográfico do monarca, de autoria de Maria Tavares Dias, que se afirma "fascinada" pela sua personalidade.
"Esta é a única foto que conheço onde o Rei está a rir e mostra os dentes, surgindo de uma forma muito informal. Há também outra, na parada de Cascais, mas está muito ao longe", disse à Lusa a investigadora.
A fotografia, "um instantâneo" de Joshua Benoliel, foi tirada na Tapada da Ajuda, em Lisboa, durante um torneio de florete. D. Carlos é acompanhado do irmão, o infante D. Afonso, que enverga uma farda militar.
"D. Carlos surge de maneira muito simples e informal. Traja um casaco sem bandas, colete de gola e um chapéu de abas, chamado na altura `à republicana`", explicou Marina Tavares Dias.
"O Rei nem esconde a dedeira na mão direita, que protege o ferimento no dedo queimado pelo calor do charuto que fumava. Era o Rei na época que mais fumava", realçou.
A investigadora afirmou que, do estudo feito sobre a vida do monarca que reinou de 1889 a 1908, quando foi assassinado em Lisboa, "nasceu um fascínio pela personagem régia".
"D. Carlos foi um chefe de Estado esclarecido e brilhante que colocou Portugal na Europa. Graças à sua acção diplomática Portugal manteve as colónias, o que foi muito importante no contexto da época", explicou.
Para a investigadora resta "intrigante" o facto de como "um Rei experiente e competente em termos políticos, foi tão crédulo em certas coisas".
Estudiosa da correspondência régia dos reinados de D.ª Maria II e D. Pedro V, respectivamente avó e tio de D. Carlos, Marina Tavares Dias salientou "a perspectiva de futuro" do Rei, que "procurou tapar buracos abertos por políticos incompetentes".
A viagem que o Príncipe D. Luís Filipe fez às colónias em 1907, de que no álbum se reproduz a primeira página do jornal "O Benguella" (Sul de Angola), é um exemplo.
"Foi a primeira vez que um membro da realeza visitou as colónias, desde a fuga da Família Real para o Brasil em 1807. Uma viagem instigada aliás pela Rainha D.ª Amélia", acrescentou.
"O príncipe herdeiro foi recebido entusiasticamente em todas as localidades coloniais que visitou, de Cabo Verde a Moçambique, passando por S. Tomé ou Angola", disse.
Além de várias fotografias do monarca, algumas do seu arquivo pessoal, o álbum editado pela Quimera Editores, que celebra 20 anos, inclui imagens de outros membros da família real e até de Reis estrangeiros, casos de Eduardo VII de Inglaterra ou Afonso XIII de Espanha.
A maioria das fotografias reproduzidas no álbum é do arquivo da autora.
"Há casos em que até tenho a chapa como acontece com essa em que o Rei está a sorrir", afirmou.
Além do seu arquivo, Marina Tavares Dias reproduz neste álbum fotografias do Museu dos Coches, das colecções José Monteiro e Mário Marques e da Fundação da Casa de Bragança.
Outras fotografias são do Rei D. Luís, pai de D. Carlos, que surge numa pose apoiando a cabeça "parecendo ilustrar a preocupação com os deveres do Reino", ou de D. Luís Filipe de 1904 que serviu de postal ilustrado da Papelaria Costa.
Outra é de D. Amélia, da sua sessão fotográfica com João Francisco Camacho. Numa delas enverga uma vestido de renda de Bruxelas e noutra esboça um sorriso, "atitude rara nas fotografias da época", realçou a investigadora.
Outra é o último retrato com toda a família real, em Vila Viçosa a 27 de Janeiro de 1908.
Marina Tavares Dias tornou-se conhecida como olissipógrafa com obras como "Photografias de Lisboa 1900" (1989), "Os melhores postais de Lisboa" (1989) e a célebre colecção "Lisboa desaparecida" que logo em 1987 lhe valeu o Prémio Júlio Castilho.
A Quimera Editores, fundada em 1987, tem-se especializado na edição de grandes formatos, nomeadamente livros de mesa e álbuns, relacionados com Lisboa, Monarquia e História.
NL.
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