Álbum de retratos de Beatriz Costa apresentado em Lisboa por ocasião do centenário do seu nascimento

Álbum de retratos de Beatriz Costa apresentado em Lisboa por ocasião do centenário do seu nascimento

Lisboa, 15 Dez (Lusa) - Várias fotografias de Beatriz Costa que pertenceram ao seu arquivo e que foram descobertas juntamente com outros documentos num alfarrabista lisboeta, deram origem a um álbum que será apresentado segunda-feira no Hotel Tivoli Lisboa.

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"Beatriz Costa - álbum de retratos", editado pelo Instituto dos Museus e Conservação e pelo Centro de Estudos da História do Grupo Espírito Santo, tem textos de José Carlos Alvarez, director do Museu do Teatro, e de Carlos Alberto Damas, do Centro de Estudos.

"Na realidade é essencialmente um álbum de retratos, alguns pouco conhecidos da actriz que foi vedeta nas décadas de 1930 e 1940 e que muitos ainda se recordam pela sua perene boa disposição", disse à Lusa Carlos Alberto Damas.

A história do álbum foi um "acaso, tangente à história do Hotel Tivoli que estamos a preparar", disse Carlos Alberto Damas.

"O hotel celebra no próximo ano o seu 70º aniversário e apareceu-nos uma pessoa a propor a compra deste espólio e a Beatriz Costa é incontornável na história do hotel em que viveu mais de quatro décadas", acrescentou.

Este "acaso" coincidiu com o centenário do nascimento da vedeta de "Aldeia da roupa branca", que se celebra este mês.

O investigador adiantou à Lusa que "o arquivo comprado encontrava-se já muito expurgado, resta saber se por ela própria ou por outras pessoas".

Além das fotografias, entre elas, uma em pose na praia de Caxias de 1932 ou do ano seguinte, em Paris, com Marlene Dietrich e várias de cena, o álbum reproduz ainda caricaturas da actriz e um auto-retrato sem data.

Quanto aos textos, José Carlos Alvarez traça o percurso artístico de Beatriz desde a Charneca do Milharado (Mafra) onde nasceu, até aos palcos da revista.

Alvarez refere as muitas actuações de êxito em Portugal e no Brasil, onde residiu de 1939 a 1947, até abandonar definitivamente a cena na década de 1960.

Carlos Alberto Damas recorda no seu texto a actriz nos percursos da cidade de Lisboa e dos seus teatros desde "Chá e torradas" (1920) onde se estreou, ainda como corista.

Beatriz Costa que integrava o quadro de abertura fazia de pirilampo e como registou Augusto Fraga tinha "pernas delgaduchas [e] uma boca de querubim a pedir beijos de inocência".

O investigador refere a ligação da actriz ao hotel, inaugurado em 1933 no antigo palacete Rosa Dasmasceno.

Se começou a pisar o palco como corista, em 1931, na revista "Mexilhão" dá-se a sua consagração como actriz ao substituir a vedeta Maria das Neves, seguindo-se uma carreira plena de êxitos.

Figuras da revista por si criadas, foram sucessivamente recriadas por outros actores e actrizes e muitas das suas canções perduram na memória. "O cochicho", "O burrié", "D.ª Chica e Sr. Pires" ou a primeira "Marcha de Benfica", são algumas delas.

No cinema protagonizou os filmes "Canção de Lisboa", "Noite de núpcias" e "Aldeia da roupa branca" mas já antes, em 1927, participara em películas de Rino Lupo, nomeadamente em "Fátima milagrosa" em que dançou um tango com Manoel de Oliveira, que celebrou esta semana 99 anos.

Em 1960, a revista "Está bonita a brincadeira" assinala a sua despedida dos palcos.

Na década de 1960, dedica-se especialmente à escrita das suas memórias. "O livro "Sem papas na língua", que só editará em 1975, foi escrito nesta época.

Nascida a 14 de Dezembro de 1907, a artista faleceu em Lisboa a 15 de Abril em 1996, no Hotel Tivoli, que desde cedo elegeu para sua residência, uma tradição das vedetas da década de 1920.

NL.

Lusa/Fim


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