Alexandre Soljenitsyne foi escritor de "importância fundamental" - Baptista Bastos

Lisboa, 04 Ago (Lusa) - Alexandre Soljenitsyne, falecido domingo na Rússia, é um escritor de "uma importância fundamental", cuja obra "põe em causa o sistema soviético, o universo concentracionário" ao tempo existente, disse hoje à Lusa Baptista Bastos.

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Para o romancista de "A Colina de Cristal", Soljenitsyne surge na "linha tradicional de grandes narradores russos, como Tolstoi ou Gorki".

"O Arquipélago de Gulag" é porventura o romance mais referenciado de Soljenitsyne, mas Baptista Bastos prefere a este dois outros livros do autor, "Um dia na vida de Ivan Denisovich" e "O pavilhão dos cancerosos".

"São livros mais importantes, diria mais significativos do que `O Arquipélago de Gulag`. Neles se põe em causa o sistema soviético, não apenas o prisional, mas tudo, todo o universo concentracionário", disse.

Por seu lado, o dramaturgo e estudioso do teatro Luiz Francisco Rebello vê em Soljenitsyne "um grande escritor".

"Pode ser discutido o conteúdo da sua obra - disse -, mas era um grande escritor. A escritora francesa Elsa Triolet referia-se-lhe com estas palavras:Soljenitsyne `é a grande prosa russa`".

O primeiro livro de Soljenitsyne, "Um dia na vida de Ivan Denisovich", é "um grande romance, um relato impressionante de um aspecto negativo da vida soviética", qualificou Francisco Rebello.

Realçando embora "a exactidão, o rigor, a verdade da denúncia" na obra de Soljenitsyne, o dramaturgo entende que a obra produzida a seguir a "Um dia na vida de Ivan Denisovich" pelo escritor russo "repete-se, nada acrescenta".

"É uma obra que, a partir daí, se transforma na exploração de uma receita", resumiu.

Entre outros títulos, foram publicados em Portugal, alguns ainda nos anos 60 e 70, "Casa de Matriona", "Um dia na vida de Ivan Denisovitch", "O primeiro círculo", "O pavilhão dos cancerosos" e "O Arquipélago de Gulag".

RMM.


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