Alunos da Escola Nadir Afonso caracterizam-no como "pintor famoso"
Chaves, 11 dez (Lusa) -- Na Escola Nadir Afonso, em Chaves, a morte do mestre, descrito pelos mais pequenos como um pintor famoso, apanhou todos de surpresa, assim como aos moradores e comerciantes na rua à qual o pintor também dá nome.
Além da escola e rua com o nome do mestre, falecido hoje aos 93 anos, a cidade de Chaves, sua terra natal, inaugurará, em julho de 2014, a Fundação Nadir Afonso, situada numa das margens do rio Tâmega.
"Nadir Afonso era um senhor muito famoso de Chaves que pintava quadros bonitos e, por isso, a escola ficou com o seu nome", explicou à Lusa a aluna Margarida Santos, de nove anos.
Surpreendida com a notícia da morte do patrono da escola, a aluna do 5º ano afirmou que o pintor já era "velhinho", mas podia viver mais uns anos porque tem um familiar com 100 anos.
"Nunca o vi ao vivo, só na internet, mas parecia simpático. Coitadinho", exclamou.
Margarida Santos sabe que os seus quadros têm "muitas" figuras geométricas e cores. E, opinou, "são giros".
A amiga, Jéssica Tovar, de 13 anos, diz-se triste pela morte do pintor porque em Chaves "não há muita coisa em grande, nem famosos".
No aniversário do mestre, a 04 de dezembro, a estudante do 6º ano contou que não houve aulas e que fizeram um corta-mato, uma peça de teatro e um puzzle de um quadro seu.
Jéssica Tovar revelou que falam do pintor nas aulas de Formação Cívica, Português e Moral.
A correr pelo recreio da escola, repleta de pinturas, cores e formas geométricas nas parede e no chão, Beatriz Alves, de dez anos, contou que à hora de almoço a avó lhe deu a novidade, depois de ter visto nos noticiários.
E, caracterizou, "era um homem nascido em Chaves que começou a fazer pinturas e umas linhas e tornou-se famoso".
Mais tímido, o primo, Hugo Alves, contou que o conhecia "mais ou menos".
O diretor do Agrupamento de Escolas Dr. Júlio Martins, que integra a Escola Nadir Afonso, Joaquim Tomaz, disse à Lusa que o mestre era um patrono "muito sentido, vivido e divulgado" e não estava esquecido.
A dar nome à instituição desde o ano 2000, Nadir Afonso é o autor do seu logótipo -- um sol com raios vermelhos, verdes, amarelos, cinzentos e pretos -- desenhado há cinco anos.
"O mestre Nadir Afonso explicou-nos que desenhou um sol com raios de várias cores, tamanhos, formas e intensidade porque a escola e a sabedoria são uma luz que brilha em cada um de nós de forma, perspetiva e ângulos diferentes", afirmou o responsável.
Contrastando com a correria, animação e gritos dos miúdos, a Rua Nadir Afonso, no centro da cidade, com uma frutaria, lavandaria, cabeleireiro, padaria, café e minimercado estava, de tarde, deserta.
O dono do café Nadir Afonso, António Manuel, que tem um quadro do mestre na parede, mas sem a sua assinatura, não tinha ainda ouvido falar na morte do artista.
"Sei que é pintor, mas não conheço a sua obra", confessou.
A sair do edifício Nadir, uma moradora, que não se quis identificar, também não sabia.
"Mas, não me faz grande diferença, ele pouco fez pela cidade", salientou.
O funeral do mestre Nadir Afonso realiza-se no sábado de manhã, em Chaves.