Alunos da ESMAE interpretam "A Ópera dos Três Vinténs" este fim de semana

Porto, 13 mai (Lusa) -- Um grupo de alunos da Escola Superior de Música, Artes e Espetáculo (ESMAE), no Porto, vai interpretar a "A Ópera dos Três Vinténs", de Kurt Weill e Bertolt Brecht, de sexta-feira a domingo.

Lusa /

O encenador, António Durães, explicou hoje à Lusa que a peça vai ser levada ao palco do Teatro Helena Sá e Costa com os alunos de canto, ou seja, "cantores que falam e falam muito" numa obra originalmente escrita para "atores que cantavam".

"É a tentativa de trazer uma consciência diferente ao trabalho que eles fazem, com a convicção de que depois, no momento de cantarem, tem um valor acrescentado", referiu o também professor de interpretação daquela escola.

António Durães sublinhou que os alunos atravessam diferentes fases ao longo do período de trabalho: "Uma é `ainda não sei o que é que estou a fazer e portanto vou um bocadinho atrás`, a segunda é `isto está a ser trabalhoso para caraças`, a terceira é o cansaço que se instala e a necessidade de vencer esse cansaço e finalmente esta fase, que é a do deslumbramento, em que há uma excitação grande".

A peça é um trabalho da pós-graduação de Ópera e Estudos Musico-Teatrais e dos Departamentos de Música, Teatro e Artes da Imagem da ESMAE.

Nas palavras do compositor Kurt Weill, que pretendia criar um "novo tipo de teatro musical" esta obra "passa-se no Soho [em Londres], bairro pouco aristocrático da Inglaterra, no século XIX", e "como personagem masculino principal, apresenta Macheath, um elegante marginal ladrão, cercado de mendigos, ladrões, prostitutas e vigaristas e que explora assaltos e prostituição".

"O que procurámos criar com esta obra foi o protótipo da ópera. A tarefa que se impunha era a de escrever música que pudesse ser cantada por atores, isto é, por amadores. No início, isto pareceu uma limitação, mas à medida que o trabalho progredia, provou ser um enorme enriquecimento", explicava Weill em 1928.

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