Ampliação do Museu Nacional de Arte Antiga "vai beneficiar Lisboa"
Lisboa, 21 dez (Lusa) - O diretor do Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA), António Filipe Pimentel, disse hoje à agência Lusa que a concretização do projeto de ampliação das instalações da entidade para a avenida 24 de Julho "vai beneficiar Lisboa".
A Câmara Municipal de Lisboa (CML) aprovou hoje, em reunião, uma permuta com uma empresa do setor hoteleiro (a ELOGIEPOPEIA, Atividades Hoteleiras), que visa a ampliação do MNAA para um prédio particular, nos números 108 a 108A naquela avenida.
Contactado pela agência Lusa, o diretor do museu congratulou-se com a aprovação da medida, e considerou que esta permuta "é um primeiro passo para a ampliação do MNAA, que é uma das grandes bandeiras da cidade" de Lisboa.
"É um sinal de que a CML está a trabalhar muito bem com o museu e com o Ministério da Cultura, em benefício da cidade", acrescentou, sobre o projeto, iniciado há três anos.
No final de 2015, a CML adotou um conjunto de medidas prevendo a suspensão das operações urbanísticas na envolvente do MNAA, de forma a não pôr em causa a expansão deste espaço, no âmbito do Plano de Pormenor de Reabilitação Urbana das Janelas Verdes, onde tem entrada.
Questionado sobre os próximos passos a dar neste projeto de ampliação, António Filipe Pimentel indicou que "só depois de o edifício ficar disponível, vão ser analisados todos os detalhes e poderá ser aberto um concurso", para obras de adaptação do espaço.
A permuta envolveu um edifício com o preço estimado de 857.500 euros e foi aprovada na reunião de hoje da câmara de Lisboa, com os votos do PS e da CDU e a abstenção do CDS-PP e do PSD.
Criado em 1884, o MNAA acolhe a mais relevante coleção pública de arte antiga de Portugal, desde pintura, escultura, artes decorativas portuguesas, europeias e da Expansão Marítima Portuguesa, desde a Idade Média até ao século XIX, incluindo o maior número de obras classificadas como tesouros nacionais.
Além dos Painéis de São Vicente, de Nuno Gonçalves, o acervo integra ainda, entre outros tesouros, a Custódia de Belém, de Gil Vicente, mandada lavrar por D. Manuel I, datada de 1506, os Biombos Namban, do final do século XVI, que registam a presença dos portugueses no Japão.
Hieronymous Bosch, Albrecht Dürer, Piero della Francesa, Hans Holbein, o Velho, Pieter Bruegel, o jovem, Lucas Cranach, Jan Steen, Velásquez, van Dyck, Murillo, Ribera, Nicolas Poussin, Tiepolo são alguns dos mestres europeus representados na coleção do MNAA.