Ana Luísa Amaral publica novo livro em diálogo com o passado, 25 anos após a estreia
A escritora Ana Luísa Amaral publicou este mês o livro "E Todavia", num balanço que aconteceu quase sem se dar conta, 25 anos depois do lançamento da estreia com "Minha Senhora de Quê".
Em entrevista à Lusa, na sua casa em Matosinhos, Ana Luísa Amaral reconheceu que só se apercebeu do quarto de século que havia passado, sobre o lançamento do primeiro livro, quando a editora -- a Assírio & Alvim -- a informou de tal.
"Não sei até se estas coisas não ficam, de alguma maneira, no inconsciente e mesmo não tendo eu a consciência plena de que fazia 25 anos de que tinha publicado o meu primeiro livro, o que é certo é que o último poema é muito curioso: `Talvez por essa gota / se insista / e valha a pena`. E todavia ainda cá estou. E todavia, passados 25 anos, continuo a publicar, a escrever", disse a autora.
O título "E Todavia" foi escolhido em duas vertentes: por um lado, pelo "jogo com a palavra" que proporcionava, ou seja, por todavia ser uma palavra "que algumas pessoas leem como `toda-via` e, portanto, também pode abrir para essas todas as vias".
Por outro lado, "E Todavia" dialoga com o título do anterior livro de Ana Luísa Amaral, "Escuro": "E todavia há esperança".
"Este livro é um bocado de balanço, sem eu me ter dado conta que tinham passado 25 anos. É o contrário. Acho que isso está muito claro no primeiro poema. É um livro que olha para trás e, portanto, tenta -- ele não tenta nada, porque a poesia não tenta nada -- mas faz esse balanço", explicou a antiga professora da Faculdade de Letras da Universidade do Porto.
Esse primeiro poema (de título "Sons, e alguma vida") abre com "Nunca viveu a sintaxe / de coisa outra / que não fosse um caos / ameaçado" e encerra com "Porque a soma / imperfeita / foi o metro / de que se fez a vida".
Perante a questão de como encara hoje, passado esse tempo sobre o lançamento de "Minha Senhora de Quê", publicado aos 33 anos, Ana Luísa Amaral sublinhou tratar-se de um livro "do qual não tiraria poemas nenhuns".
"E Todavia" vai ser apresentado no dia 14 de maio, na Bertrand do Chiado, em Lisboa, por Lídia Jorge, com leitura de poemas feitos pela autora e por Pedro Lamares.