"Antes de Começar" de Almada no Teatro da Trindade

Um boneco e uma boneca ganham vida quando estão sozinhos e conversam ingénua e poeticamente sobre a realidade humana, as suas grandezas e misérias - é este o ponto de partida da peça "Antes de Começar".

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Escrita por Almada Negreiros em 1919, a peça, que se estreia sábado no Teatro da Trindade, em Lisboa, "é uma reflexão sobre a precariedade da vida, sobre o que acontece quando as pessoas seguem a cabeça e não ligam ao coração", disse hoje à Lusa Paulo B., um actor a estrear-se na encenação.

Carlos Oliveira e Cláudia Semedo, que já conheciam o texto e queriam trabalhar juntos, interpretam as personagens: ele é um boneco "todo sofisticado, comprado numa loja", ela é uma boneca "feita à mão, de trapos, mas de seda, apesar de tudo, e com um coração enorme", descreveu o encenador.

"Um bocadinho palhaço rico, palhaço pobre", observou.

Dos dois actores partiu a ideia de convidar Paulo B. para dirigir o espectáculo, uma experiência que este classificou como "divertidíssima", apesar de sublinhar que não é encenador.

"Eu sou actor, a minha vida é dar vida a personagens", insistiu.

"E primeiro, assustei-me imenso quando li o texto do Almada - admitiu -, porque é bonito, mas não é um texto levezinho. O desafio foi procurar as ideias do Almada, saber quais são os pontos de referência dele para ter escrito este entremez".

Porque a peça - explicou - "chama-se `Antes de Começar`, ou seja, quando a peça acaba é que vai começar o espectáculo. Há uma família simpática, bonacheirona, que faz espectáculos e que vai pelas ruas a anunciá-los".

Quando a família sai é que o boneco, que pertence ao filho, e a boneca, que é da filha, começam a mexer-se e a falar um com o outro.

"Ouve o teu coração, segue o teu coração" - é este o apelo de Almada Negreiros, com esta peça, defendeu Paulo B., considerando que ela "é divertida mas não é uma comédia" e "é para toda a família", "contra a passagem do tempo".

"Antes de Começar" estará em cena até 22 de Dezembro na sala principal do Teatro da Trindade.


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