Antiga Mazagão vai ter plano global de reabilitação urbana

Os governos de Portugal e de Marrocos estão a preparar um plano global de reabilitação da cidade portuguesa em El-Jadida, antiga Mazagão, através do envolvimento de empresas que transformarão palácios degradados em pousadas turísticas.

Pedro Morais Fonseca, Agência LUSA /

No final da IX Cimeira Luso-Marroquina, hoje, em Rabat, o secretário de Estado da Cultura, Mário Vieira de Carvalho, afirmou que o Governo português está já em contacto com empresas interessadas em associar-se ao projecto de reabilitação arquitectónica do núcleo histórico de Mazagão, que foi fundada pelos portugueses em 1513, servindo ponto de abastecimento das rotas marítimas com destino ao Brasil e à Índia.

Abandonada em 1769 por ordem do Marquês de Pombal, para evitar o desvio de ouro proveniente do Brasil, a cidade portuguesa encontra-se actualmente num elevado estado de degradação e, segundo estimativas do executivo de Lisboa, "a sua recuperação requer agora um investimento avultado".

"Está já em curso uma intervenção do Instituto Português do Património Arquitectónico (IPPAR) e do seu congénere de Marrocos na cidade portuguesa, mas queremos dar sustentabilidade económica ao projecto de recuperação", frisou Mário Vieira de Carvalho.

Nesse sentido, o secretário de Estado adiantou que "um dos principais planos passa por transformar alguns dos antigos palácios em pousadas destinadas ao turismo de habitação".

A antiga Mazagão, actual El-Jadida, tem uma das maiores praias da costa atlântica marroquina, mas tem escassez de hotéis e o turismo é sobretudo interno.

O secretário de Estado da Cultura informou também que, junto à cisterna do século XVI - um dos monumentos mais emblemáticos e com maior valor histórico da antiga Mazagão -, está a ser construído um centro interpretativo.

Tal como já havia sido anunciado na segunda-feira pelo executivo português, também a Fundação Calouste Gulbenkian assumiu o compromisso de contribuir para a reabilitação da catedral de Safi (cidade na costa atlântica marroquina e um dos maiores portos de pesca do país) construída pelos portugueses no final do século XVI.

Mário Vieira de Carvalho referiu ainda que a IX Cimeira Luso- Marroquina permitiu um compromisso com o Governo de Rabat no sentido de aumentar o intercâmbio de artistas entre os dois países.


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