Antigo director da Ortopedia/HUC lança livro sobre nova ordem mundial
O professor catedrático jubilado Norberto Canha, antigo director do Serviço de Ortopedia dos Hospitais da Universidade de Coimbra, lançou um livro sobre a "Nova Ordem Mundial", apelando a "uma cultura de não-violência".
"É a minha visão do mundo, com propostas para o modificar, mas para melhor", declarou Norberto Canha à agência Lusa, referindo que a obra transmite "um a mensagem de esperança e confiança para todos os netos" e que defende uma cultu ra baseada em princípios como a não-violência, a solidariedade e a tolerância.
O livro, um volume com mais de 300 páginas, intitulado "Nova Ordem Mund ial - Contas aos Netos", é o primeiro de carácter não técnico ou científico publ icado por Norberto Canha, que dirigiu, de forma ininterrupta entre 1972 e 1999, o Serviço de Ortopedia dos HUC.
"Era o maior serviço [de Ortopedia] europeu quando o deixei, com 350 ca mas e 15 salas de operações. Quanto tomei conta dele tinha 33 camas e uma sala d e operações duas vezes por semana. Creio que foi o primeiro na Europa a ter toda s as subespecialidades", realçou.
Esta obra do médico, que "pretende traçar os caminhos para um novo rumo que permita aos netos andar", foi apresentado no auditório dos HUC e a seguir n o salão nobre da Associação Cristã da Mocidade (ACM), em Coimbra.
Segundo uma nota sobre o livro, nele são abordados temas como os "princ ípios práticos de uma ética mundial", o "sacerdote do futuro", a universidade do futuro, ensino público e privado, reorganização da sociedade e do Estado, a esc ola e o mercado de trabalho ou a quantificação da ciência e da justiça.
Entre os "princípios práticos para uma ética mundial", Norberto Canha d efende "o compromisso a favor de uma cultura de não violência e de respeito pela vida e o compromisso a favor de uma cultura de solidariedade e de uma ordem eco nómica justa".
"Poucas gerações vão ser tão ricas como a minha. Começamos a despertar para a vida com a guerra civil espanhola, seguiu-se a II Guerra Mundial", lembro u o autor, evocando também o período posterior, da "Guerra Fria", os confrontos no Ultramar e o "conflito de ideias do 25 de Abril".
Criado em África a partir dos sete anos, começou em Coimbra uma "vida u niversitária cheia", tendo enquanto estudante, sido presidente, entre outros car gos, da assembleia magna e do conselho fiscal da Associação Académica e da Queim a das Fitas.
"Fui sempre uma espécie de cavaleiro andante. Ajudei a montar a Faculda de de Medicina em Lourenço Marques e fui o primeiro director clínico do Hospital Universitário [de Maputo, capital de Moçambique]", recordou ainda Norberto Jaim e Rêgo Canha, frisando que essa "vivência enorme é indispensável em termos de um a nova visão do mundo".