Antigo Museu do Artesanato "renasce" como Centro de Artes Tradicionais
O antigo Real Celeiro Comum de Évora acolhe, a partir de quinta-feira, o renovado Museu do Artesanato, agora Centro de Artes Tradicionais, que custou 1,3 milhões de euros e conta com um espólio superior a duas mil peças.
Fechado há 16 anos, o antigo Museu do Artesanato reabre, em cerimónia que decorre a partir das 17:00, num espaço em que vão coabitar modernos meios de multimédia com peças representativas do tradicional artesanato alentejano, mais especificamente dos artesãos do distrito de Évora.
"Houve alguém que disse que a cultura popular é a alma de um povo e este museu é o testemunho de boa parte da cultura deste povo. Poder reabri-lo, em novos moldes, é uma enorme alegria", disse hoje à agência Lusa João Andrade Santos, presidente da Região de Turismo de Évora (RTE).
O antigo Museu do Artesanato começou a funcionar em 1965, logo nas instalações do Real Celeiro Comum, um edifício barroco que, no século XVIII, terá sido o primeiro depósito de trigo construído para o efeito em Portugal.
Contudo, o equipamento cultural acabou por ser encerrado em 1991, ficando ao abandono, após um processo rodeado de alguma complexidade.
"O espaço, num edifício do Estado, acabou por ser devolvido à Assembleia Distrital cinco anos depois", explicou Andrade Santos, lembrando que o "vasto" projecto de recuperação, para criar aí o Centro de Artes Tradicionais, foi entregue à RTE e arrancou em 1999.
Após um investimento de 1,3 milhões de euros, o espaço foi todo requalificado e recuperado, o mesmo acontecendo com as mais de duas mil peças que constituem o espólio museológico, nomeadamente um conjunto de Tapetes de Arraiolos, dos inícios do século XIX, que era do Seminário Maior de Évora e foi cedido pelo Instituto Português dos Museus.
"É a peça mais grandiosa e espectacular e, como estava muito degradado, gastámos cerca de 2.500 euros na sua recuperação", afiançou Andrade Santos.
O espólio do centro, disse, resulta da "herança" do antigo Museu do Artesanato e de peças cedidas por várias instituições públicas e doadas por coleccionadores particulares.
Utensílios como foices, machados, enxadas e outras alfaias agrícolas, louças e peças em barro, madeira, ferro e mármore, mantas tradicionais de Reguengos de Monsaraz, cestaria e chocalhos, entre muitos outros objectos, também integram o espólio.
A exposição permanente do Centro de Artes Tradicionais é formada por um total de 250 peças e intitula-se "Marcas de Identidade".
Além disso, o equipamento apresenta duas exposições temporárias, uma delas dedicada à barrística popular de Estremoz e a outra a um jovem artesão do distrito, Tiago Cabeça.
"Vamos ter sempre duas mostras temporárias, uma temática e outra com trabalhos de um jovem artesão, para mostrar a abundância, a criatividade e a riqueza do artesanato dos 14 concelhos da região", desvendou ainda o presidente da RTE.
A informação aos visitantes será disponibilizada através das exposições, mas também através de suportes escritos e audiovisuais e do inventário dos cerca de 500 artesãos do distrito, acessível para consulta em suporte digital.
No capítulo audiovisual, será transmitido o enquadramento da actual produção artesanal, num filme, com cerca de 20 minutos, que os visitantes poderão visionar no final do percurso pelo espaço museológico.
O processo de fabrico das peças de artesanato, com a identificação do município a que pertence o artesão, também não foi esquecido e é retratado em curtos filmes, visionados durante o percurso pelo centro, em ecrãs plasma colocados no circuito expositivo.
Para Évora, "um dos distritos mais ricos e vivos em termos de artesanato", o renascer deste equipamento é encarado pelo presidente da RTE como uma "mais-valia turística inegável".
"A vida deste território não é só a arte erudita e a monumentalidade feita pelos grandes e para os grandes. É também o rasto da vida que os pequeninos, os artesãos, foram deixando ao longo dos tempos", argumentou Andrade Santos.
O projecto de recuperação do antigo Museu do Artesanato foi maioritariamente financiado por fundos comunitários, envolvendo também verbas do Estado e da RTE.