Aquilino Ribeiro - Panteão, a homenagem e a leitura da obra

O projecto era conhecido, a sua oficialização vem hoje em letra de forma no Diário da República: os restos mortais de Aquilino Ribeiro serão trasladados para o Panteão Nacional.

Agência LUSA /

"O Panteão é a homenagem da Pátria aos seus maiores, não deve ter nada de sagrado", disse hoje à Lusa o escritor Baptista Bastos, confessando-se "muito feliz" com a iniciativa da Assembleia da República.

Mestre da língua, Aquilino, que o autor de "A colina de cristal" conheceu pessoalmente, era um homem "com consciência da sua valia, da sua importância, não só no panorama da cultura portuguesa mas também no plano dos princípios, princípios morais e da relação com os outros".

"Ele representa - realçou - o Portugal de uma certa nobreza, de uma certa integridade, e isso está nos seus livros. Foi sempre um homem da liberdade, a súmula de uma cultura".

Entre a morte de Aquilino, em 1963, e a homenagem que agora lhe é prestada decorreram 44 anos. Muito tempo, na opinião de Baptista Bastos. "Já lá devia estar", observou.

Para um outro escritor, Mário Cláudio, "tudo aquilo que sirva para homenagear um escritor é bem-vindo" e merece ser aplaudido, mais ainda quando se está em presença de um autor "da dimensão de Aquilino Ribeiro".

"Mas não se promove o respeito pela sua obra através de realizações deste tipo", ressalvou.

"Não tenho o culto dos mortos", pontuou, para salientar em seguida que "não há melhor homenagem do que ler-lhe os livros".

"Culto dos mortos" é algo que também Lídia Jorge não tem.

O que, na sua avaliação, importa, no caso de grandes autores como Aquilino, "é a obra, é a memória, é a cidadania".

A autora de "O vento assobiando nas gruas" admitiu à Lusa que a trasladação será válida se for uma forma de "lembrar ao país" quem foi Aquilino e chamar a atenção para a sua obra.


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