Arcebispo de Braga defende dignificação do trabalho e condições para habitação

Arcebispo de Braga defende dignificação do trabalho e condições para habitação

O arcebispo de Braga defendeu hoje a dignificação do trabalho e condições para a habitação ao abordar o aumento do custo de vida em Portugal, que relacionou com a política global, guerras a "má orientação" do mundo.

Lusa / Adicionar como fonte informativa
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"(...) A situação que estamos a viver no nosso país, como consequência daquilo que acontece ao nível global, afeta as famílias que nós conhecemos, as nossas próprias famílias, as famílias das nossas comunidades", afirmou José Cordeiro, em conferência de imprensa no Santuário de Fátima, onde hoje começa a peregrinação internacional de 12 e 13 e outubro, a que vai presidir.

O também vice-presidente da Conferência Episcopal Portugal adiantou que a Igreja Católica acompanha "com a solicitude" que lhe é possível "e também com aquilo que é a própria missão da Igreja, de ser um sinal profético e do que si depender, junto daqueles que têm a autoridade do Governo, fazer esse apelo permanente para a construção do bem comum, para a dignidade da pessoa humana, para a dignificação do trabalho, da vida em família, das condições para a habitação, das políticas que sejam mais amigas da família e para que seja um desenvolvimento integral e integrado".

O prelado reconheceu que, "certamente, que muito se fez ao longo destes anos, mas muito mais se pode fazer e deve fazer numa cooperação recíproca" que a Igreja também quer construir.

O arcebispo de Braga recordou o contributo da Igreja Católica na área social "nomeadamente nos acordos com o Estado em relação às IPSS [instituições particulares de solidariedade social], às santas casas da misericórdia", que têm como alvo crianças, adolescentes, jovens, adultos e, "de um modo especial", os mais idosos e os mais carenciados.

José Cordeiro referiu ainda o trabalho das cáritas diocesanas e das conferências vicentinas, assim como dos grupos informais nas paróquias nas várias comunidades, tendo apenas "como referência sempre a centralidade da pessoa humana, a dignidade da pessoa humana".

O arcebispo notou que o aumento do custo de vida, assim como dos combustíveis "são consequências desta política global, das guerras em curso, da má orientação que este mundo" está a seguir.

Já o bispo da Diocese de Leiria-Fátima, José Ornelas, declarou que "não é difícil identificar os motivos fundamentais que levam os portugueses e as portuguesas a estarem preocupados com a situação" económica.

"Eu não vivo amedrontado, mas seria inconsciente se não me preocupasse no sentido de dizer que temos de encontrar soluções para os problemas da habitação e soluções para o problema dos preços que vêm galopantemente a subir e que não dependem simplesmente de nós próprios", mas de uma "conjuntura internacional que é muito complicada" e que deixa o país "com uma margem de manobra mais limitada", declarou José Ornelas.

O bispo considerou que os problemas se devem ao facto de não haver entendimento como humanidade.

"Aqui no país, não nos entendermos para encontrarmos as soluções e também os limites de soluções que, forçosamente, a situação comporta", sustentou, notando que "isto se passa tanto no plano nacional como a nível internacional".

Neste último aspeto, José Ornelas recordou que "basta ver os entendimentos que em si seriam bons em qualquer tempo, mas que, neste momento, são simplesmente um negociar a partir de uma discussão que é mais de vendilhões do que de buscas sensatas de soluções", referindo-se às "negociações sobre combustíveis, que é uma coisa que aflige o mundo inteiro e há quem queira privatizar".

Para o bispo de Leiria-Fátima, a ausência de entendimento deve-se ao facto de cada um se fixar nos "seus próprios interesses".

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