Arnaldo Saraiva recorda Derrida, o filósofo da diferença da palavra

Arnaldo Saraiva recorda Derrida, o filósofo da diferença da palavra

O professor universitário Arnaldo Saraiva lamentou a morte de Jacques Derrida, que considerou ter mostrado que "os textos da metafísica, da literatura, da história ou do mundo, podem dizer sempre outra coisa diferente do que parecem dizer".

Agência LUSA /

Arnaldo Saraiva comentava a morte do filósofo francês, que faleceu sexta-feira à noite num hospital parisiense na sequência de um cancro no pâncreas.

"Ele ensinou-nos como nenhum outro filósofo moderno que a sabedoria ou a verdade exigem a ponderação e o trânsito entre opostos (dentro/fora, superficial/profundo, centro/periferia) e que os textos da metafísica, da literatura, da história ou do mundo podem dizer sempre outra coisa diferente do que parecem dizer", disse.

Para Arnaldo Saraiva, "o mérito de Derrida pode ser medido a partir de termos que começam todos pelas duas primeiras letras do seu nome - não só a famosa "desconstrução", mas também "destruição", "desestabilização", "desmontagem", "deslocação".

O professor frisou que, na obra de Derrida, estes termos podem relacionar-se "quer com signos, sentidos, estruturas, teorias ou cânones no campo da filosofia, mas também da linguagem, da literatura e da teoria política e social que ultimamente tanto o preocupavam".

O filósofo - que durante muito tempo ensinou em Paris e em diversas das mais prestigiadas universidades norte-americanas como as de Yale e de John Hopkins - efectuou uma vasta reflexão crítica sobre a instituição filosófica e o ensino desta matéria.

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